sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sobre pastores e lobos


[por Osmar Ludovico]


Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos.

No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.
Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.
Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.
Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.
Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.


Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são devoradores" (Mateus 7:15).


Fonte: Revista Enfoque Gospel, edição 54

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Observações sobre o dízimo


A passagem bíblica sobre o dízimo é encontrada em Levítico 27:30-33, que apresenta:

Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará o seu quinto sobre ela. No tocante a todas as dízimas de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara, to dízimo será santo ao SENHOR. Não esquadrinhará entre o bom e o mau, unem o trocará; mas, se em alguma maneira o trocar, o tal e o trocado serão santos; não serão resgatados.”

Outras passagens também oferecem explicações detalhadas. Números 18:21-32 dá a instrução de que o dízimo seja usado para sustentar os levitas, a tribo separada para servir a Deus. Consequentemente, ele não foi dado em sua própria província quando Canaã foi conquistada por Josué. Deuteronômio 12:5-14 e 14:22-26 ensinam que os dízimos deviam ser trazidos ao santuário central, que foi mais tarde estabelecido em Jerusalém. Deuteronômio 14:27-30 e 26:12-15 apresentam outro dízimo, que devia ser coletado a cada três anos. Este dízimo devia ser guardado localmente e distribuído aos necessitados. Embora alguns vejam três dízimos no Antigo Testamento, parece mais provável que fossem dois: os dez por cento anuais, separados para aqueles que serviam ao Senhor, e o dízimo de cada três anos, destinado ao auxílio de viúvas, órfãos e estrangeiros desamparados.

O dízimo era aplicável a tudo aquilo que a terra produzia, e não à renda originida do comércio. Na opinião de alguns, o dízimo era um aluguel que Deus cobrava do povo de Israel a quem Ele concedia o privilégio de viver ali (Dt 1.8; 3.2). O dízimo também tinha o intuito de ser uma oportunidade para se expressar a fé. Deus prometera abençoar o trabalho de seu povo (Dt 14.29). Aqueles que confiavam nele separavam seus dízimos alegremente, certos de que Ele satisfaria suas necessidades através de abundantes colheitas futuras (Ml 3.10).

Mas por que o Novo Testamento não menciona o dízimo dos cristãos? Para responder, precisamos nos lembrar de que o dízimo foi primeiramente imposto a Israel, uma comunidade de fé que também era uma nação. Israel tinha sua própria terra, e estruturas civis governadas pela lei de Moisés. O dízimo básico de Israel financiava o centro de adoração da nação, e uma classe especial, levítica e sacerdotal, dedicada ao serviço. Além disso, o dízimo servia como a parte de Deus na produção da terra que Ele permitia que Israel ocupasse.

Em contraste, a comunidade de fé do Novo Testamento existe como pequenas comunidades, dispersas em cada nação. Nossa comunidade de fé não tem um centro de adoração principal para financiar. Já não existe mais um sacerdócio à moda do Antigo Testamento, mas cada crente agora é visto como um sacerdote. No Novo Testamento, Paulo argumenta a favor do direito que os obreiros cristãos de tempo integral têm, de serem mantidos por aqueles a quem ministram. Assim, há diferença no motivo e na maneira como estas contribuições serão usadas nos dois Testamentos. Há também um paralelo entre aquela preocupação pelos pobres expressa no dízimo de cada três anos de Israel, e na coleta de Paulo pelos pobres de Jerusalém (2 Corintios 8 e 9).

Podemos justificar a importação do dízimo para nossa era. As raízes daquele costume eram parte da vida de Israel sob a Lei, tanto quanto qualquer sacrifício ritual.

Quanto aos ensinos do Novo Testamento, quando se trata de ofertas, e não de dízimos, cada um deve dar não uma quantia estabelecida, mas que “cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necesssidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2Co 9.7). Como expressão do amor e da confiança que Deus surprirá cada uma de nossas necessidades, a caridade cristã é verdadeiramente algo gracioso. É nossa resposta de amor à maravilhosa dádiva de amor que recebemos de Deus, e nossa resposta de amor aos nossos irmãos e irmãs que estejam passando por necessidades.


* extraído do comentário do texto de 2 Coríntios 8 e 9 - Os princípios da caridade no Novo Testamento


RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD. 2008, 3ª ed.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A arte de dizer as coisas

"A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal,  para que saibais como vos convém responder a cada um" (Colossenses 4:6)




O sultão e os dentes



Certa vez um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse seu sonho.

- Que desgraça, senhor! – exclamou o sábio. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade!

- Mas que insolente! – gritou o sultão, ameaçando o sábio. Como se atreve a dizer tal coisa?!

O sultão chamou os guardas e mandou que lhe dessem 100 chicotadas. Ordenou, em seguida, que chamassem outro sábio, para interpretar o mesmo sonho. O outro sábio disse: 

- Senhor, uma grande felicidade vos está reservada!!! O sonho indica que irá viver mais que todos os vossos parentes!

A fisionomia do sultão iluminou-se e ele mandou dar 100 moedas de ouro ao sábio. Quando este saía do palácio, um cortesão lhe perguntou:

- Ó sábio, como é possível isso? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega e, no entanto, ele levou 100 chibatadas, e você, 100 moedas de ouro!

- Lembre-se sempre, amigo – respondeu o sábio -, que tudo depende da maneira de dizer as coisas. E que esse é um dos grandes desafios da Humanidade! É daí que vem a felicidade ou a desgraça; a paz ou a guerra.

A verdade sempre deve ser proclamada, não resta a menor dúvida, mas a maneira como é dita é que faz toda a diferença.























quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Meditando sobre o céu

[Richard Baxter]

"Trabalhe para conhecer o céu como a única felicidade, e também para que seja a sua felicidade. Embora o conhecimento da maravilha e da adequação possa incitar aquele amor que trabalha por meio do desejo, ainda assim precisa haver o conhecimento de nosso interesse ou propriedade para estabelecer um trabalho contínuo de nosso amor de complacência. Podemos confessar que o céu é a melhor condição, embora possamos nos sentir desesperados ao desfrutá-lo, e podemos desejá-lo e buscá-lo, se percebermos que a obtenção dele é proveitosa e possível; mas jamais nos regozijaremos de forma deleitosa nele até que sejamos persuadidos de que nossa posição ali está garantida. [...] Ó, cristãos, não descansem, portanto, até que possa dizer que esse descanso é seu; não se sente sem ter certeza; fique sozinho e questione-se; traga seu coração para a corte de julgamento; force-o a responder os interrogatórios que você lhe faz; estabeleça, de um lado, as condições do evangelho e as qualificações dos santos, e, de outro lado, seu desempenho em relação a essas condições e qualificações de sua alma, para depois julgar o quanto elas estão próximas. Você tem diante de você a mesma Palavra, aquela por meio da qual deverá ser julgado no grande dia, para julgar por si mesmo agora; faça essas questões agora para si mesmo. Ali você poderá ler os artigos segundo os quais será julgado. [...] Portanto, estabeleça o fundamento do julgamento de forma sábia e ponderada; prossiga nesse trabalho de forma deliberada e metódica; continue com ele até chegar a um resultado firme e diligente; não permita que seu coração escape e saia antes do julgamento, mas faça-o ficar até ouvir sua sentença. Se uma, duas ou três tentativas não forem suficientes, nem alguns dias de interrogatório não o levarem a um resultado, prossiga nessa responsabilidade de forma diligente e incansável e não desista até que o trabalho esteja completo, até que possa dizer se você é, ou não, um membro de Cristo; se esse descanso lhe está, ou não, garantido. Assegure-se de não descansar em incertezas obstinadas. Se você mesmo não pode realizar bem essa responsabilidade, peça ajuda de pessoas preparadas e habilidosas. Procure seu ministro, se ele for um homem de experiência; ou peça a um amigo capaz e experiente; fale abertamente de seu caso e peça para que eles lidem com o assunto com sinceridade; continue a agir desse modo até que tenha certeza. Observe que podem restar algumas dúvidas; mas, ainda assim, você deve ter tanta certeza a ponto de conhecê-las a fundo para que elas não interfiram em sua paz. [...]"

Fonte: perolasdoevangelho.blogspot.com

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O dia do Senhor é mais precioso do que os rubis

[Thomas Watson]

"...O sábado (domingo) é o dia de mercado da alma, o supra-sumo do tempo. É o dia da ascensão de Cristo do túmulo, é o dia do Espírito Santo descendo dos céus. É perfumado com o perfume doce das orações, que sobem aos céus como incenso. 

Neste dia o maná cai, isto é, a comida dos anjos. Este é o dia festivo da alma, no qual a graça desempenha seu papel. Os outros dias da semana são mais empregados nas coisas terrenas, este dia é sobre o céu; naqueles você ajunta palha, neste ajunta pérolas. 


Neste dia a alma sobe ao monte com Cristo e Ele mostra Sua glória na transfiguração. Neste dia Ele leva Sua noiva até a adega, e lhe mostra a bandeira do Seu amor.

Neste dia Ele lhe dá de Seu vinho especial e o suco de Suas romãs (Ct. 2:48:2). O Senhor geralmente revela-se mais à alma neste dia. O apóstolo João estava em espírito neste Dia do Senhor (Ap. 1:10). Ele foi levado neste dia em êxtase divino até o céu. Neste dia o cristão está nos lugares altos; ele caminha com Deus, e faz como se fosse um passeio com Ele nos céus (1Jo 1:3). 

Neste dia somos tomados de santas afeições; o estoque da graça é aumentado; as corrupções são enfraquecidas; e satanás cai como um raio diante da majestade da Palavra. Cristo realizou a maioria de Seus milagres no sábado; e assim o faz até hoje: As almas mortas são vivificadas e corações de pedras são transformados em corações de carne. Como devemos estimar e reverenciar este dia! É mais precioso do que os rubis. Deus o ungiu com o óleo de alegria sobre seus companheiros. 

No sábado (domingo) estamos fazendo o trabalho dos anjos. Nossas línguas são harmonizadas com os louvores de Deus. O sábado na terra terra é uma sombra e um tipo do glorioso descanso e eterno sábado pelo qual esperamos no céu, quando Deus será o templo, e o Cordeiro será sua luz (Ap 21:22-23)."...


Thomas Watson The Ten Commandments - Banner Of Truth, p.97 (Extraído do livro Quem foram os puritanos?, p. 167-168.






sábado, 23 de novembro de 2013

A importância de se conhecer a Deus


[R. C. Sproul]

Em Romanos 1, o apóstolo Paulo diz que Deus revelou-se através das coisas criadas tão claramente, e tão manifestamente, que cada pessoa neste mundo conhece o eterno poder e a deidade de Deus. E ainda assim o pecado primário da raça humana é tomar esse conhecimento de Deus e puxá-lo para baixo, como diz o apóstolo Paulo em Romanos, suprimir a verdade pela injustiça, e então trocar esta verdade por uma mentira. E servir a criatura ao invés do Criador. A troca é entre o Incorruptível, Transcendente e Santo Deus pela corrupção de coisas semelhantes a criaturas. Em outras palavras, amigos, o mais básico pecado que nós, não apenas pagãos em terras longínquas aborígenes ou em tribos primitivas, mas que nós cometemos, é o pecado da troca, a propensão à idolatria. E idolatria envolve religião.

Mas até mesmo a religião cristã pode ser idólatra, quando nós despimos Deus de seus verdadeiros atributos e colocamos no centro de nossa adoração algo que não seja o próprio Deus.

Se formos olhar para a essência da Teologia Reformada, eu tenho que dizer a vocês que o foco mais rigoroso da Teologia Reformada é na teologia! No conhecimento do Deus Verdadeiro.

Nós vivemos numa época em que as pessoas dizem que a teologia não é importante. Era isso que David Wells estava desacreditando em seu livro “Sem Lugar para a Verdade”. O que interessa é se sentir bem. Ser ministrado em nossas necessidades psicológicas. Ter um lugar onde possamos sentir o calor e a comunhão, e ter um senso de pertencer a algum lugar e relevância. E teologia é algo que divide. Algo que atiça controvérsias e debates. Dizem: “Nós não precisamos de doutrina! Precisamos de vida!”

No coração da Teologia Reformada está a afirmação de que teologia é vida. Pois teologia é o conhecimento de Deus. E não há conhecimento mais importante para informar nossas vidas do que o conhecimento de Deus.

É disso que se trata toda a Reforma. Havia escândalos no clero, havia problemas de imoralidade, tanto entre o povo católico romano, quanto entre o povo protestante. E Lutero naquele tempo disse: “Erasmo ataca o Papa em sua barriga, eu o ataquei em sua doutrina.” E Lutero ainda admitia que se encontrava comportamento escandaloso entre nosso próprio povo, mas o que nós estamos tentando fazer em primeiro lugar é chegar a um são entendimento de Deus. Pois nossas vidas nunca serão reformadas, nunca serão trazidas à conformidade com Cristo, antes de termos um claro entendimento da Forma Original, do Modelo, do Ideal, da verdadeira humanidade que é encontrada em Cristo. E isso é uma questão de teologia. Então comecem com o claro reconhecimento de que a fé reformada é uma teologia. Uma teologia que permeia toda a estrutura.

Fonte: Voltemos ao Evangelho


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O Evangelho do Entretenimento

"Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo".  [C. H. Spurgeon]