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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Evidência da veracidade de nosso Cristianismo

[Jonathan Edwards]

"Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus" (I Jo. 2:4-5).


A prática cristã aperfeiçoa fé e amor. São como uma semente. A semente não chega à perfeição por ser plantada na terra. Nem por desenvolver raízes e brotos, ou por sair do chão, nem por desenvolver folhas e botões. Entretanto, quando produz frutos bons e maduros, chegou à perfeição - completou sua natureza. O mesmo ocorre com fé e amor e todos os outros dons. Chegam à perfeição em frutos bons e maduros da prática cristã. A prática, então, deve ser a melhor evidência de que esses dons existem.

As Escrituras dão mais ênfase à pratica do que a qualquer outra evidência de salvação. Espero que isso esteja claro agora. Temos que nos manter nessa ênfase. É perigoso dar importância a coisas que a Bíblia não endossa. Teremos perdido nosso equilíbrio bíblico se dermos maior importância aos sentimentos e experiências que não se expressem em obediência prática. Deus sabe o que é melhor para nós, e tem salientado certas coisas porque precisam ser salientadas. Se ignorarmos a ênfase clara, de Deus, na prática cristã, e insistirmos em outras coisas como testes de sinceridade, estamos no caminho da ilusão e hipocrisia.

As Escrituras falam muito claramente sobre a prática cristã como o verdadeiro teste de sinceridade. Não é como se isso fosse alguma doutrina obscura, somente mencionada algumas vezes em passagens difíceis. Suponhamos que Deus desse uma revelação nova hoje, e declarasse: "Conhecereis meus discípulos por isso, sabereis que são da verdade por isso, sabereis que são Meus por isso" - e então desse uma marca ou sinal especial. Não veríamos nisso um teste claro e enfático de sinceridade e salvação? Bem, isto é o que tem ocorrido! Deus tem falado dos céus - na Bíblia! Ele nos disse muitas e muitas vezes que a prática cristã é a prova mais alta e melhor da fé verdadeira. Vejam como Cristo repete isso no texto do capítulo 14 do Evangelho de João: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (v. 15). "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama" (v. 21). "Se alguém me ama, guardará a minha palavra" (v. 23). "Quem não me ama, não guarda as minhas palavras" (v. 24). E no capítulo 15: "Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos" (v. 8). "Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando" (v. 14). E encontramos a mesma coisa em I João: "Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos" (2:3). "Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele" (2:5). "Não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. E nisto conheceremos que somos da verdade" (3:18-9). Acaso não está claro?

Deus nos julgará por nossa prática no Dia do Juízo. Ele não pedirá que demos nosso testemunho pessoal. Não examinará nossas experiências religiosas. A evidência pela qual o Juiz nos aceitará ou rejeitará será a nossa prática. Essa evidência, é claro, não será para o benefício de Deus. Ele conhece nossos corações. Mesmo assim, Ele exporá a evidência de nossa prática por causa da natureza aberta e pública do julgamento final. "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo" (II Cor. 5:10). Se a nossa prática é a evidência decisiva que Deus usará no Dia do Juízo, é o teste que deveríamos aplicar a nós mesmos aqui e agora.

Conforme esses argumentos, penso que está claro que a prática cristã (como a defini) é a melhor evidência, para nós mesmos e para os outros, que somos verdadeiros cristãos.

http://www.jonathanedwards.com.br/

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Graça comum não transforma o homem


[Jonathan Edwards]


"Portanto assim diz o Senhor DEUS:  Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, e sobre as árvores do campo, e sobre os frutos da terra; e acender-se-á, e não se apagará." (Jeremias 7:20)




Homens em uma condição natural podem ter percepções da culpa que recai sobre eles, da ira de Deus e seu perigo da vingança divina. Tais percepções são raios de luz da verdade. Podemos ver que alguns pecadores têm uma maior percepção de sua culpa e miséria que outros, e isto é porque alguns têm mais luz, ou mais apreensão da verdade do que outros. E essa luz e percepção podem fluir do Espírito de Deus.

O Espírito dá alguma percepção aos homens do pecado, mas ainda assim a natureza é muito mais predominante nele do que a comunicação da a luz espiritual e divina. Trata-se da obra do Espírito de Deus apenas como auxiliar nos princípios naturais, e não infundindo novos princípios.

A graça comum difere da especial na medida em que influencia apenas ajudando a natureza e não por transmitir graça ou concedendo qualquer coisa acima e além da natureza. A luz que é obtida é totalmente natural, ou de nenhum tipo superior ao que a mera natureza alcança, embora mais desse tipo é obtida do que seria obtido se os homens ficaram entregues a si mesmos. Ou, em outras palavras, a graça comum só ajuda as faculdades da alma para fazer mais plenamente o que eles fazem por natureza, como a consciência natural ou razão - será por mera natureza comum fazendo um homem sensato da culpa e vai acusar e condenar quando ele fizer algo errado.

A consciência é um princípio natural para os homens, e o trabalho que ela faz, naturalmente, ou de si mesmo, é dar uma apreensão de certo e errado e sugerir à mente a relação que existe entre o certo e o errado e uma retribuição que virá. O Espírito de Deus, naquelas percepções que os homens não regenerados às vezes têm, auxilia a consciência para fazer este trabalho em um grau muito maior do que faria se eles fossem deixados entregues a si mesmos.

Trata-se assim, da obra do Espírito de Deus apenas como auxiliar nos princípios naturais, e não infundindo novos princípios. O homem continua no mesmo estado de depravação e escuridão espiritual.


Jonathan Edwards (1703-1758) - “A Divine and Supernatural Light”
Fonte: http://www.jonathanedwards.com.br

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Resolvi! As 70 resoluções de Jonathan Edwards

Como era comum aos jovens da sua época, Jonathan Edwards escreveu uma lista de resoluções, comprometendo-se a viver uma vida TEOCÊNTRICA em harmonia com os outros. Ela foi escrita provavelmente no ano de 1722 e foi crescendo ao longo dos anos, quando novas resoluções eram acrescentadas. A lista tem um total de 70 resoluções e dão o exemplo da seriedade e firmeza com as quais Jonathan Edwards encarava a vida. Que elas nos inspire também a andarmos de modo digno da vocação para a qual fomos chamados...




quinta-feira, 28 de junho de 2012

Remindo o tempo - por Jonathan Edwards

Remindo tem mais relação com alguma coisa que tanto está perdida, ou que de alguma forma perdemos, ou que no mínimo está pronta para ser perdida, ou tomada de nós.

“Remindo o tempo porque os dias são maus”. Os dias sendo maus, vemos outros desperdiçando seu precioso tempo; mas você se esforçará para remi-lo? O verso pode ter relação também com o desperdício de tempo no passado... ou pode dizer respeito ao grande perigo do tempo ser perdido, em razão do fato de os dias serem tão maus... se eles não tivessem um grande cuidado, o tempo se deslizaria de suas mãos, e eles não tirariam nenhum benefício dele... ou finalmente pode dizer respeito quanto à necessidade de remirmos o tempo dessas terríveis calamidades que Deus trará sobre os ímpios... o tempo pode ser remido como se ele fosse salvo da terrível destruição que quando vier, colocaria um fim à paciência de Deus. O tempo é uma coisa que deveríamos ter em alto valor.

DOUTRINA: O TEMPO É UMA COISA EXCESSIVAMENTE PRECIOSA

Pelas seguinte razões:
1. Porque a eternidade depende do aproveitamento do tempo. As coisas são preciosas na proporção da sua importância, ou em razão do nível de relação com o nosso bem-estar. Isso faz com que o tempo seja um bem imensamente precioso, porque o interesse pelo nosso bem-estar, depende do aproveitamento do tempo. Ele é precioso porque o nosso bem-estar nesse mundo depende do seu aproveitamento. Ele é precioso porque se não o aproveitarmos, nós correremos o risco de atrairmos pobreza e desgraça... mas acima de tudo é importante porque a eternidade depende dele... de acordo com o nosso aproveitamento ou perda do nosso tempo, seremos felizes ou miseráveis na eternidade.

2. O tempo é muito curto, o que o torna muito precioso: a escassez de algum bem faz com que o homem coloque um grande valor sobre ele, especialmente se é uma coisa necessária de ser tida e sem a qual não pode viver... o tempo é tão curto, e o trabalho que temos a fazer é tão grande, que não podemos desperdiçar nenhuma parte dele. O trabalho que temos que fazer para nos prepararmos para a eternidade deve ser feito no tempo, ou nunca será feito; e esta é um obra que envolve grande dificuldade e labor.

3. O tempo dever ser visto por nós como algo muito precioso... porque sua continuidade é incerta. Nós sabemos que ele é muito curto, mas não sabemos quão curto ele é. Nós não sabemos o quão pouco nos resta, se um ano, ou muitos anos, ou apenas um mês, ou uma semana, ou um dia. Não há nenhuma experiência que possa ser mais bem verificada do que essa.

Quanto mais muitos homens valorizariam seu tempo, se eles soubessem que tinham apenas uns poucos meses, ou uns poucos dias a mais nesse mundo; e certamente um homem sábio valorizaria seu tempo ainda mais... essa é a condição de milhares agora no mundo que agora gozam de saúde, e não veem nenhum sinal do avanço da morte. Muitos, sem dúvida alguma, estão para morrer no próximo mês, e muitos morrerão essa semana, muitos morrerão amanhã e não sabem nada disso, e não pensam sobre isso. Quantos morreram fora dessa cidade num tempo ou outro, quando nem eles nem seus vizinhos viam nenhum sinal de morte uma semana antes. E provavelmente existem muitas pessoas agora aqui presentes, ouvindo o que eu digo agora, que vão morrer dentro de pouco tempo, e que não tem nenhuma percepção disso.

4. O tempo é precioso porque quando ele passa não pode ser recuperado... o que é bem aproveitado não é perdido; embora o tempo por si mesmo se vá, o seu benefício permanece conosco... cada parte do nosso tempo é como se fosse sucessivamente oferecida a nós, a fim de que possamos escolher se o faremos nosso o não. Mas se o recusamos, ele imediatamente é tomado, e nunca mais oferecido.

A eternidade depende do aproveitamento do tempo; mas quando o tempo de vida se vai, uma vez que a morte venha, nós não temos mais o que fazer com o tempo.


APROVEITAMENTO

Uso I. Autoexame. Para levar as pessoas a considerarem o que fizeram com tempo. Quando Deus criou você e lhe deu uma alma racional, ele o fez para a eternidade, e lhe deu o tempo aqui a fim de prepará-lo para a eternidade. Considere o que você fez com o tempo passado. Existem muitos de vocês que podem muito bem concluir que metade do seu tempo já se foi... o seu sol já passou o meridiano... quando você olha para o passado da sua vida percebe que foi numa grande medida vazio...? Quanto pode ser feito em um ano? Para que propósito você gastou o seu tempo?

Uso II. Reprovação, para aqueles que desperdiçaram o seu tempo. A raça humana age como se o tempo fosse uma coisa que tivesse em grande quantidade, e tivesse mais do que precisa, e não sabe o que fazer com ele. Há muitas pessoas que deverão ser reprovadas com essa doutrina que eu agora vou particularmente mencionar:

Primeiro. Aquelas que gastaram grande quantidade do seu tempo em ociosidade... suas mãos recusam-se trabalhar; e em vez de trabalhar, eles deixam sua família sofrer e eles próprios sofrerão... muitos gastam grande parte do seu tempo... em ociosidade e conversa não proveitosa.

Segundo. São reprovados pela doutrina aqueles que gastam o seu tempo em trabalhos ímpios, que não apenas gastam o seu tempo fazendo nada para nenhum propósito bom, mas gastam o seu tempo em propósitos maus... eles ferem e matam a si mesmo com isso. Por isso, esses que tiveram a oportunidade de obter a vida, trabalham para a sua própria morte. Eles gastaram o seu tempo corrompendo e infectando as cidades e locais onde vivem... alguns gastaram muito do seu tempo em contendas... isso não é apenas perda de tempo, é a pior forma de abusar do tempo do que meramente desperdiçá-lo... eles não apenas desperdiçam o seu tempo, mas consomem o tempo de outros... eles contraíram aqueles hábitos pecaminosos que tomarão tempo deles para serem mortificados... o pecado é um grande devorador de tempo.

Terceiro. São reprovados por essa doutrina, aqueles que gastam seu tempo em apenas propósitos mundanos, negligenciando suas almas.

O tempo foi dado para a vida na eternidade. Foi designado como um tempo de provação para a eternidade... se os homens não aproveitam seu tempo para os propósitos da eternidade, eles o perdem.

Uso III. É uma exortação para aproveitarmos o tempo ao máximo.

Primeiro. Você é responsável diante de Deus pelo seu tempo. Tempo é um talento de Deus dado a nós. Ele estabeleceu o nosso dia, e esse dia não nos foi dado para nada – foi designado para algum trabalho.

Segundo. Considere quanto tempo você já perdeu... você deve aplicar a si mesmo o mais diligentemente possível para o aproveitamento da parte de tempo que lhe resta, para que você possa viver como se fosse para remir o tempo perdido.

1. Sua oportunidade agora é menor. O seu tempo por mais longo que seja é muito pequeno... e se o todo da sua vida é tão pequeno, quão pequeno é o que lhe resta.

2. Você tem o mesmo tipo de trabalho que tinha para fazer primeiro, e isso sob maiores dificuldades... não apenas o seu tempo para trabalhar se tornou menor, o seu trabalho se tornou maior.

3. Você perdeu o melhor do seu tempo. Não apenas se foi o melhor, e ainda assim todo o seu trabalho permanece; e não apenas isso, mas com mais dificuldades do que nunca. Que loucura é uma pessoa se entregar ao desencorajamento, assim como negligenciar o seu trabalho porque o seu tempo é muito curto? Deus o chama para se levantar, e se aplicar ao seu trabalho

Terceiro. Considere como muitos valorizam o tempo quando estão perto do fim da vida.

Quarto. Considere... aqueles que desperdiçaram todas as oportunidades para obterem a vida eterna, e foram para o inferno, que pensamentos você pensa que eles tem sobre a preciosidade do tempo?

Eu concluirei fazendo três advertências em particular.

1°. Aproveite o seu tempo sem de nenhuma maneira atrasar.

2°. Seja especialmente cuidadoso para aproveitar aquelas partes do tempo que são mais preciosas... o tempo santo é mais precioso do que o tempo comum. Esse tempo é mais precioso para o nosso eterno bem-estar. Portanto, acima de tudo, aproveite os seus domingos; e especialmente aproveite o tempo de adoração pública, que é a parte mais preciosa do tempo santo... o tempo de operações do Espírito de Deus é mais precioso do que qualquer outro tempo... esse é o tempo quando Deus está próximo... é o dia da salvação.

3°. Aproveite seu tempo de lazer dos negócios mundanos... você pode proveitosamente gastar o seu tempo em conversação com pessoas santas sobre coisas das mais alta importância, em oração e meditação, e lendo livros proveitosos. Você precisa melhorar cada talento... e oportunidade ao máximo, enquanto o tempo ainda perdura.

Fonte: www.jonathanwdwards.com.br




sábado, 14 de janeiro de 2012

Só conhecimento não basta! - por Jonathan Edwards

“Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem.” (Jó 42.5)


"[...] Deve ser entendido que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o que será explicado mais tarde [...]" (Jonathan Edwards, 1703 - 1758)




Fonte: http://www.jonathanedwards.com.br