terça-feira, 20 de agosto de 2013

Mandamentos libertadores

Vistes que o Senhor, vosso Deus, vos levou,
 como um homem leva a seu filho ...” (Dt 1:31).
 (ver também Levítico 26:3-13)

Os dez mandamentos não são uma lista de ordens a serem seguidas a fim de alcançarmos o favor de Deus.

[por  Steve Chalke]

Existe uma piada em que Deus convoca a humanidade para o julgamento final. “O anjo Gabriel lerá todos os dez mandamentos, um por um”, Ele anuncia; “Aqueles que desobedeceram a algum deles, será lançado à escuridão eterna”. Depois de lido o primeiro mandamento, muitos são expulsos da presença de Deus. O mesmo acontece quando o anjo lê o segundo, o terceiro, e assim por diante até que chegue ao oitavo. A essa altura, apenas um punhado de pessoas com expressões duras e ar arrogante permanece ali. Deus então imagina como seria passar a eternidade com essa gente séria e sem alegria, e grita para os que estavam se retirando: “Voltem aqui! Eu mudei de ideia!”

Os dez mandamentos são vistos muitas vezes como uma lista de exigências árduas que uma divindade faz questão de que sejam cumpridas antes de abençoar seu povo. Mas isso não é verdade. Deus já havia demonstrado que amava a Israel incondicionalmente. Eles já estavam sem esperanças quando Deus os salvou de sua perdição, concedendo-lhes um novo começo.

Os dez mandamentos não são uma lista de ordens a serem seguidas a fim de alcançarmos o favor de Deus. Ao contrário, eles são Deus dizendo: “Eu amo vocês, e já provei isso. Portanto, confiem em mim. Cumpram esses mandamentos, pois é bom para vocês que façam assim, e porque ao cumpri-los, vocês mostram ao mundo quem Eu sou – um Deus de amor e misericórdia, e não de condenação e vingança”.

Que o Senhor nos ajude a experimentar a liberdade de viver dentro dos limites de Seus preceitos.

Fonte: http://cristianismohoje.com.br

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ao Redor da Mesa


[por Gilson Bifano]
Na Bíblia encontramos vários textos que abordam o valor da refeição em família. A mesa nos tempos bíblicos era diferente das que temos hoje. Coisas importantes, na história bíblica, aconteceram ao redor da mesa.


Reconciliação e perdão
Uma das passagens mais lindas de toda a Bíblia é o reencontro de José com seus irmãos (Gn 42 a 45). O perdão de José aos seus irmãos se deu num ambiente de refeição (Gn 43.31-34). Lendo esse texto podemos chegar a conclusão que muitas vezes podemos externar nosso arrependimento, pedir perdão ou liberar o próprio perdão ao redor da mesa.

Lembranças
Em Êxodo 12.1-20 encontramos Deus orientando o povo para usar a refeição em família para relembrar a libertação do Egito. Use os momentos das refeições para lembrarem o quanto Deus tem sido bondoso para com sua família. Lembrem juntos o que Deus tem a favor da família.

Ministração
Jesus usou um momento de refeição, na casa de um fariseu, para ministrar lições valiosas para os seus discípulos (Lc 14.1-14). Naquela oportunidade falou sobre as prioridades do Reino e do valor da humildade. Aproveite as refeições em suas casas para discipular seus filhos e transmitir preciosidade eternas para suas vidas.

Instrução
Deuteronômio 6. 4-8 é um texto muito conhecido. Embora a palavra "mesa" não apareça no texto, podemos concluir que o momento que a família sentava à mesa era de sua importância para os pais instruírem seus filhos a respeito de Deus e de Sua vontade. "Converse sobre elas quando estiver sentado em casa", nos aponta que o momento da refeição é um lugar propício para ensinar os filhos a respeito das coisas espirituais.

Orientação
Deuteronômio 14. 3-27 é um texto que narra sobre os alimentos proibidos e permitidos em Israel. À mesa também podemos conversar com os filhos sobre o valor de uma boa refeição e os benefícios que um alimento rico em fibra, proteína e vitaminas podem fazer ao organismo.

Compartilhamento
Jesus também usou um ambiente de refeição, ao redor da mesa, para compartilhar sua dor e sofrimento (Mt 26.17-30). Podemos aproveitar um ambiente de refeição para abrir o coração e compartilhar com nossos queridos as preocupações, ansiedades, dores e sofrimentos.

Lugar de sonhar
Gênesis 24.50-60 narra como se deu o acerto de casamento de Isaque e Rebeca. Com certeza hoje, em nossa sociedade, não é recomendável. Mas o que está por de trás do texto é que podemos usar as refeições em família para compartilhar com os filhos os nossos sonhos, como pais e mãe, a respeito dos seus futuros maridos e esposas. Aproveite as refeições em sua família e conversem com seus filhos sobre casamento, namoro e noivado.

Alegria
Jesus usou a figura da refeição para falar de alegria (Ap 3.20). Cear com alguém está associado, na cultura hebraica, a momentos de alegria.

Transforme as refeições em sua família em momentos de alegria, de riso e de contentamento.

Concluindo, procure fazer das refeições momentos marcantes em família. A mesa é um lugar propício para deixar um legado para seus filhos e entes queridos.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O perigo de esquecer os Mandamentos


[Deuteronômio 8:1-20]

Os mandamentos são a base de todas as bençãos que Deus reservara para Israel. A fim de nunca esquecê-los é necessário manter em mente as lições do passado.

a) Não se esqueça das lições da disciplina divina (8:1-6). Deus nos prepara para suas bençãos. Não há quem possa permanecer no sucesso sem a necessária disciplina divina. Muitos teriam mais êxito se se submetessem ao aprendizado necessário. Ao passo que, com outros, o treinamento é prolongado, desnecessariamente, porque “reprovam nas provas”. Foi o que sucedeu em Israel. Foram 40 vezes mais longo do que precisava ter sido.

Mas a disciplina foi algo bom. Humilhou e provou (v.3). Revelou os verdadeiros motivos do coração (v.2). Tinha a forma de dieta alimentar incomum, para a qual os israelitas dependiam literalmente de Deus todos os dias. Certo estudiosos pensam que o maná (v.3) era a excreção de dois tipos de insetos escamosos que se alimentavam de tamargueiras. Se foi assim, e na verdade não temos como obter certeza, então a referência a humilhar é muito apropriada! Este cardápio era uma comida que nem os israelitas nem seus pais tinham previamente conhecido. Mas, sobretudo, Deus humilhou os filhos de Israel para torná-los dependentes dos mandamentos e das promessas divinas. A condição mais importante na vida é ter um relacionamento correto com Aquele que alimenta a alma e o corpo (cf. Mt 4.4; Lc 4.4).

Certos expositores entendem que a declaração: Nunca se envelheceu a tua veste sobre ti (v.4), quer dizer que as roupas dos israelitas não se desgastaram durante os 40 anos. É mais provável que signifique que, pela provisão de Deus, eles fizeram outras roupas, mesmo sendo nômades peregrinando pelo deserto. Pelo mesmo cuidado divino, os pés não incharam. No versículo 5, a ênfase não está na palavra 'castiga', mas no termo 'seu filho' (cf. Hb 12:7,8). A lição da disciplina é aplicada: E guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus (v.6).

Os versículos 1 a 6 sugere o tema “para que não esqueçamos”: 1) as provas do passado (v.2); 2) as lições do passado (v.3); 3) o cuidado paternal (vv. 4,5).

b) Não se esqueça de quem foi que te deu a terra (8:7-20). Temos a descrição fiel de como era Canaã no tempo de Moisés (7-9). Charles Wesley descreve a experiência do amor perfeito em termos da terra de Canaã:

A land of corn and wine and oil
favoured with God's peculiar smile
and every blessing blessed...1

O ferro (v.9) é menção de basalto preta com aproximadamente 20% de teor de ferro. Quanto a cobre é tradução correta (cf. NTLH). Na atualidade, a riqueza mineral de Canaã tem sido explorada como nunca.

O tema dos versículos 6 a 10, “viva pela Palavra de Deus”, é sugerido no versículo 3b. 1) Viva pela obediência aos mandamentos de Deus, v.6; 2) viva pela aceitação das disciplinas de Deus, v.5 (cf. Hb 12:5-11); 3) viva pela fé nas promessas de Deus, vv.7-10.

É característico da natureza humana passar da escassez para a abundância com uma gratidão inicial, a qual, depois de certo tempo, dá lugar a um espírito de congratulação própria, automaticamente e, às vezes, rebelião arrogante. Estes versículos apresentam esta tendência e indicam as coibições. Guarda-te para que... havendo tu comido, e estando farto... se não eleve o teu coração, e te esqueças do Senhor (vv. 11-14), e não digas no teu coração: a minha força (v.17) me adquiriu este poder. Feliz o homem que sabe equilibrar um estômago cheio com um coração grato e humilde. É extremamente comum a tendência a descambar para outra direção. O coração arrogante inibe a memória da bondade do Senhor e explica a prosperidade em termos de capacidade humana e boa sorte. O resultado triste é nos afastar de nosso Benfeitor e transferir nossa lealdade a uma forma menos exigente de religião, que dê maior amplitude aos desejos mais vis. Esta propensão é copiosamente ilustrada pela história de Israel. Nas palavras gráficas da canção de Moisés, “engordando-se Jesurum, deu coices” (32.15).

Moisés dá uma prescrição certa para a prevenção de tal eventualidade. Os israelitas devem se lembrar do Senhor ao guardarem mandamentos divinos, e nunca se esquecer da libertação do Egito (vv. 11,14). Devem recordar a orientação, a proteção e a provisão divinas no deserto. Jamais devem esquecer que por trás de toda a capacidade em adquirir poder (“riquezas”, ARA), acha-se a força (v.18) de Deus. Por fim, a apostasia aos falsos deuses trará sobre Israel o mesmo destino das gentes (“nações”, ARA) que eles desapossam (vv. 19-20).


1“Uma terra de trigo, vinho e azeite / favorecida com o sorriso peculiar de Deus / e abençoada com todas as bençãos...”

Fonte: Comentário Bíblico Beacon Vol.1. Diversos Autores. São Paulo: CPAD, 2005, 1ª ed.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um tempo em que a “igreja” baniu o pecado de seus cultos.

[Josemar Bessa]

De todos os problemas de nosso mundo, o pecado é o assunto mais escuro que devia cativar nossas atenções, mas nos tornamos tão familiarizados com ele (nos ressentindo apenas dos seus efeitos quando desagradáveis), que o pecado em si mal nos afeta em nosso caminhar diário. Nós nos tornamos uma sociedade que baniu a ideia de pecado. Nós vivemos em um tempo em que a “igreja” tem banido o pecado de seus cultos...

 
Nem por isso o Senhor, que o chama de “coisa abominável  que Ele odeia” -  deixa de vê-lo instante a instante como ele de fato o é. Sim, Deus odeia o pecado e mais nada. E não alguns pecados, mas o pecado. E devemos lembrar que o pecado jamais pode ser separado do pecador, ele não é algo que existe fora da existência do pecador.

Deus nunca odiou um ser sem pecado – é impossível. Se o pecado é separado de uma criatura, essa criatura já não tem mais nada a temer! Se o pecado é separado de um mundo, esse mundo já não tem mais nada a temer! Eis a grande notícia da Graça revelada no evangelho.

O pecado não é apenas perigoso – é amargo, e você não pode tentar tratar do amargor do pecado na sociedade quando a sociedade humana ama o pecado. O pecado é amargo e é a fonte abundante de toda a amargura. Por isso o profeta Jeremias usa essa linguagem: “É amargo, porque atinge até o seu coração!” – Ele o chama de raiz da amargura, ele pode ter um sabor doce ao paladar do pecador e de uma sociedade depravada, mas seu amargor é inevitável.

1) O pecado é amargo em sua natureza...

Uma afastamento de Deus, fonte de toda alegria infinita e real.

É oposição a Deus, o doador de todo prazer não pode ser medido.

É rebelião contra Deus, governante justo e santo, que por isso se comprometeu julgá-lo e puni-lo.

É a degradação do homem, que foi feito a imagem do Deus santo e eternamente Feliz!


2) O pecado é amargo em seus efeitos:

Olhe para o mundo – todas as divisões, confusões, guerras, doenças, derramamento de sangue e crueldade... são suas marcas indeléveis.

Olhe para as famílias – Toda a raiva, ressentimento, ciúme, inimizade, falta de amor... são as marcas de suas garras.

Olhe para os indivíduos – todo sofrimento do corpo, todas as torturas da alma, todas as tristezas do tempo, todas as agonias da eternidade – são seus frutos maduros.

Olhe mesmo para os salvos – toda a sua peleja e bom combate, conflitos, dor profunda... são ainda por viverem em combate contra a carne, o mundo e satanás...

De fato cada suspiro em cada peito – mesmo quando Deus se tornou homem e andou no mundo, cada dor no Salvador – foi o pecado.

Todos os gemidos de todos os corações partidos, cama exclamação de angústia humana – tudo fruto do pecado.

O profeta diz que é amargo porque “atinge até o seu coração!” O pecado não é de forma alguma uma ferida na carne, mas uma doença do coração. Lá foi concebido, lá é alimentado, e dali flui.

A conclusão é terrível! Na verdade, o coração do homem é a coisa mais repugnante e poluída no universo de Deus! Sua poluição, a partir do coração, contaminou o universo inteiro. Não há nada tão mau ou abominável na terra ou no inferno – do que esse mau nascido no coração do homem.

Ao chegar ao coração humano o pecado o alienou completamente de Deus. O que fez esse coração não ter qualquer simpatia para com Deus e seu caráter santo. Nenhum desejo de agradá-lo. Nenhum medo de ofendê-lo. O homem tem medo da punição quando devia ter medo do pecado, mas ele o ama.

No coração do pecado não há nenhuma verdadeira paz estabelecida, nenhuma calma santa, nenhuma satisfação tranquila. A paixões turbulentas, consciência contaminada, vontade depravada, entendimento obscurecido. A memória se tornou um porão, um depósito do mal. Na verdade todos os poderes e faculdades da alma foram pervertidos e são erroneamente escravizados pelo pecado.

O pecado ao chegar ao coração, o condenou! Ele não vai ser, ele já está condenado. E se a Graça soberana não o impedir – a sentença de condenação será executada e então o coração se tornará para sempre a sede da agonia terrível, da dor mais torturante, do mais terrível desespero... para sempre!

Jeremias estava certo: “É amargo porque atinge até o coração!” – Essa é a descrição do pecado tão amado pelo homem. É tão amargo que nenhuma língua ou linguagem humana pode descrevê-lo com justiça. E esse amargor está na sede da vida, portanto, contamina toda a pessoa, desvia cada ato, expõe todo homem a ira e maldição de Deus para sempre.

Por causa dele o Salvador nasceu no mundo...

Agora, existe um outro assunto que devia estar em pauta constante na agenda da igreja? Existe um outro problema que devia estar sendo combatida?...

O pecado jamais será parte da agendo do mundo, e quando da igreja resolve segui-la, se torna inútil!
“É amargo porque atinge até o coração!” – Jeremias 4.18

 Fonte: www.josemarbessa.com




segunda-feira, 15 de julho de 2013

A BÍBLIA É SUFICIENTE PARA VOCÊ ?


SALMO 119.96 – “TODA PERFEIÇÃO TEM O SEU LIMITE; MAS O MANDAMENTO DO SENHOR É ILIMITADO.”

Salmo 19.7 – “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”


Dizer que algo é suficiente é dizer que não precisa de substitutos, nem complementos. De fato a Bíblia não necessita de substitutos nem de complementos. Tudo o que precisamos saber sobre Deus está na Bíblia. Os textos bíblicos acima declaram esta suficiência usando o adjetivo perfeição. Assim, a Bíblia é suficiente em si mesma, ou seja, por sua própria definição.
Mas a Bíblia é suficiente para você?

Uma boa forma de aferirmos essa suficiência em nossa experiência é refletir sobre como podemos nos aproximar do Livro Sagrado. Citaremos brevemente, a seguir, algumas formas negativas de aproximação e concluiremos com o testemunho da própria Bíblia de sua suficiência, com o intuito de incitar-nos a uma aproximação saudável:
(os títulos que utilizaremos nas descrições são meramente ilustrativos, ou seja, não os usamos aqui em seu sentido etimológico mais profundo)
Intelectuais–são aqueles que lêem de uma forma seca e técnica. Utilizam-se de uma mente arguta e altamente curiosa para “dissecar” o livro, pela sua riqueza histórica e literária. A seguir escrevem livros e mais livros apontando a complexidade das descobertas, e de fato, são importantes em alguma medida. Mas, para estes a Bíblia não é suficiente, pois tanto faz ser a Bíblia ou outra obra literária histórica qualquer. Para estes logicamente a Bíblia não passa de um mero objeto de pesquisa.

Pragmáticos–são aqueles que querem lições para viver bem, ajudar os filhos, vizinhos e colegas. São caçadores da funcionalidade do texto na solução de suas dificuldades diárias. Para estes, a Bíblia também não se mostrará suficiente, pois logo ganhará a preferência o que responder de forma mais prática e imediata às questões inquietantes do dia a dia. Não importa princípios, ética ou verdade, mas se funciona. Aí, tanto faz o Apóstolo Paulo, Içami Tiba, Augusto Cury ou qualquer outro autor. O que “funcionar” primeiro ganha.

Sentimentais–são os que buscam histórias emocionantes e inspiradoras. Poesia, parábolas e provérbios são apreciados. Logo desenvolvem uma teologia marcada pelo humanismo, pelas frases de efeito, pela filosofia barata e pela exaltação da auto-estima. Para estes, os gurus da auto-ajuda convivem no mesmo plano dos autores bíblicos. Para estes também, aqueles que buscam conhecimento de toda verdade de Deus revelada nas Escrituras são chamados de “teólogos, ortodoxos e fundamentalistas” da forma mais pejorativa possível.

Pregadores–procuram na Bíblia apenas mais um sermão, somente uma mensagem, ou um pretexto. Se não acharem… Pregam assim mesmo! Outro dia ouvi falar de um pregador que fez a seguinte confissão na maior cara-de-pau: “preparei uma mensagem tremenda, só me falta achar o texto bíblico que servirá de base”. E outro que introduziu seu sermão com esta pérola: “irmãos folheei a Bíblia pra lá e pra cá e não achei um texto em que pregar, então…” Durma-se com um barulho desses! A Bíblia para estes é mero detalhe.

Os “sem Bíblia”-são os que não lêem de forma alguma. Seguem a falsa premissa de que ler, estudar e meditar é função de pastor e pregador. Há dois tipos desses infelizes auto-enganados, os “sem Bíblia” que têm uma para carregar e fazer tipo, e os “ortodoxos”, aqueles que nem sequer têm uma, ou pelo menos não querem que alguém saiba que têm. Vão aos cultos de “mãos abanando” e mente vazia.

Todos os tipos descritos acima são crentes obviamente, pelo menos é o que dizem. Ou, como dizia certa música vivem da “arte de viver da fé, só não se sabe fé em que”.
A aproximação que faz da Bíblia suficiente é aquela que busca, sobretudo, aproximar-se de Deus, que procura trazer Deus para a realidade da vida, colocando-se sob sua autoridade. O trecho do Salmo 19 (7-10) mostra a suficiência da Bíblia sob muitos aspectos, e o que ela promove aos que a lêem de forma adequada. Segundo este salmo a Bíblia é: Perfeita – completa, única, sem necessidade de remendos; Fiel – digna de confiança; Reta – sempre precisa em seus ensinos; Pura – sem misturas; Limpa – não contamina, nem envenena; Verdadeira – capaz de clarear a visão. Escrevendo a Timóteo, Paulo nos fala da maior qualidade das Escrituras, dando-nos o tom da sua suficiência. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos dê corações sedentos e famintos das Sagradas Letras, transformando-nos a cada dia em homens e mulheres de Deus que glorificam o Altíssimo em toda maneira de viver.
http://fielpalavra.blogspot.com.br

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Pensando como Jesus

Por R.C. Sproul


Há muitos anos, fui convidado para fazer o discurso de abertura em um grande seminário teológico nos EUA. Nesse discurso, falei sobre o papel crítico da lógica na interpretação bíblica, e supliquei para que os seminários incluíssem cursos de lógica em seu currículo obrigatório. Em quase todo currículo de seminário, os estudantes devem aprender algo sobre as línguas bíblicas originais, grego e hebraico. Eles são ensinados a procurar o contexto histórico do texto, e aprendem princípios básicos de interpretação. Essas são habilidades importantes e valiosas para sermos bons mordomos da Palavra de Deus. Entretanto, a maior razão para que os erros na interpretação bíblica ocorram não é porque o leitor carece de um conhecimento de hebraico ou da situação em que o livro bíblico foi escrito. A causa nº 1 para a má interpretação das Escrituras é fazer inferências ilegítimas do texto. Creio firmemente que essas inferências falhas seriam menos comuns se os intérpretes bíblicos fossem mais habilidosos nos princípios básicos de lógica.

Permita-me dar um exemplo do tipo de inferência falha que tenho em mente. Eu duvido que já estive em uma discussão sobre a questão da eleição soberana de Deus sem que alguém citase João 3.16 e dissesse: “Mas a Bíblia não diz que ‘Deus amou o mundo de tal maneira que Ele deu Seu Filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’?”. Imediatamente, concordo que a Bíblia diz isso.

Se fôssemos traduzir essa verdade em proposições lógicas, diríamos que todos aqueles que creem terão vida eterna, e ninguém que tenha a vida eterna perecerá, porque perecer e vida eterna são pólos opostos em termos das consequências de crer.

Entretanto, o texto não diz absolutamente nada sobre a capacidade humana de crer em Jesus Cristo. Ele não nos diz nada sobre quem crerá. Jesus disse:“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6.44). Aqui, nós temos uma negativa universal que descreve capacidade. Ninguém tem a capacidade de vir a Jesus a não ser que uma condição particular seja satisfeita por Deus. Ainda assim, isso é esquecido à luz de João 3.16, que nada diz sobre um pré-requisito para a fé. Assim, João 3.16, um dos textos mais famosos em toda a Bíblia é rotineira, regular e sistematicamente destruído com inferências e implicações falhas.

Por que essas inferências ilegítimas acontecem? A teologia cristã clássica e, em particular, a reformada, fala sobre os efeitos noéticos do pecado. A palavra noético deriva-se da palavra grega nous, que é normalmente traduzida como “mente”. Assim, os efeitos noéticos do pecado são estas consequências da queda do homem no intelecto humano. A pessoa humana inteira, incluindo todas as nossas faculdades, foi devastada pela corrupção da natureza humana. Nossos corpos morrem devido ao pecado. A vontade humana está em um estado de prisão moral, cativa aos desejos e impulsos maus do coração. Nossas mentes, da mesma forma, são caídas, e nossa própria capacidade de pensar foi severamente enfraquecida pela queda. Eu imagino que o QI de Adão antes da Queda fosse fora de série. Duvido que ele fosse levado a fazer inferências ilegítimas quando cuidava do jardim. Pelo contrário, sua mente era perspicaz e aguçada. Porém, ele perdeu isso quando caiu, e nós perdemos com ele.

Entretanto, o fato de sermos caídos não significa que não temos mais a capacidade de pensar. Nós todos tendemos ao erro, mas podemos aprender a raciocinar de uma maneira ordenada, lógica e persuasiva. Meu é desejo é ver os cristãos pensarem com o máximo de convicção e clareza. Assim, como uma questão de disciplina, será muito benéfico estudar e dominar os princípios elementares de raciocínio, de maneira que possamos, pela ajuda de Deus Espírito Santo, superar, em certo grau, a destruição do pecado sobre nosso pensamento.

Eu não creio por um único segundo que qualquer um de nós, enquanto o pecado estiver em nós, será perfeito em seu raciocínio. O pecado nos coloca contra a lei de Deus enquanto vivermos, e temos de batalhar para superar essas distorções básicas da verdade de Deus. Porém, se amamos a Deus, não somente com todo o nosso coração, nossa alma e nossa força, mas também com toda nossa mente (Mc 12.30), seremos rigorosos em nossas tentativas de treinar nossas mentes.

Sim, Adão tinha uma mente perspicaz antes da queda. Todavia, creio que o mundo nunca experimentou um pensamento tão são como o manifesto na mente de Cristo. Penso que parte da humanidade perfeita de nosso Senhor foi que Ele nunca fez uma inferência ilegítima. Ele nunca chegou a uma conclusão que não era estabelecida pelas premissas. Seu pensamento era claro e coerente. Somos chamados a imitar nosso Senhor em todas as coisas, incluindo Seu pensar. Portanto, que amá-Lo com toda sua mente se torne um assunto de importância máxima e séria em sua vida.

Fonte: bereianos.blogspot.com.br

terça-feira, 9 de julho de 2013

Quando o QUERER e o DEVER não se harmonizam



"Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço,
 isso faço." (Romanos 7.15)


[por John Piper]


Se o seu “querer” não se conforma com o “dever” estabelecido por Deus, o que você pode fazer para ter paz? Vejo pelo menos cinco estratégias possíveis.

1) Você pode evitar pensamentos sobre o “dever”. Esta é a estratégia mais comum no mundo. Muitas pessoas simplesmente não dedicam energia para considerar o que deveriam estar fazendo e não o estão fazendo. É mais fácil apenas deixar o rádio tocando.

2) Você pode reinterpretar o “dever”, para que este se pareça com o seu “querer”. Isto é um pouco mais sofisticado; portanto, não é muito comum. Geralmente exige uma educação especializada, para ser feito com credibilidade; ou, a graduação em um seminário pode fazer isso com requinte.

3) Você pode reunir os poderes da sua vontade para realizar uma forma de “dever”, embora não tenha o “querer” em seu coração. Isso parece muito bom e, frequentemente, é mal interpretado como uma virtude, até por aqueles que o fazem. De fato, há uma filosofia que diz: “O dever sem o querer é a essência da verdadeira virtude”. O problema desta filosofia é o que Paulo disse: “Deus ama a quem dá com alegria” (2 Coríntios 9.7). Isso coloca os que contribuem por “dever” em uma situação precária.

4) Você pode sentir contrição pelo fato de que o seu “querer” é muito pequeno e frágil – como um grão de mostarda. Depois, se você tiver a capacidade, cumpre o “dever” pelo esforço da vontade, enquanto lamenta que seu “querer” seja fraco e ora para que este logo seja restaurado. Talvez este até seja restaurado enquanto você realiza o “dever”. Isto não é hipocrisia. A hipocrisia oculta a ausência do “querer” e finge que ele existe. A virtude confessa o desejo deficiente na esperança de que a graça perdoará e restaurará.

5) Por meio da graça, você pode buscar a Deus, para que Ele lhe dê o “querer”, de modo que, chegando o momento de cumprir o “dever”, você terá o “querer”. Em última instância, o “querer” é um dom de Deus. “A mente da carne é hostil para Deus... e não é capaz de submeter-se à lei de Deus” (Romanos 8.7 – tradução do autor). “O homem natural não pode entender as coisas do Espírito de Deus...porque elas são apreciadas espiritualmente” (1 Coríntios 2.14 – tradução do autor). “Na expectativa de que Deus lhes conceda...o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (2 Timóteo 2.25).

A doutrina bíblica do pecado original se resume nisto (emprestado de Agostinho): somos livres para fazer o que gostamos, mas não somos livres para gostar do que deveríamos gostar. “Pela desobediência de um só homem [Adão] , muitos se tornaram pecadores” (Romanos 5.19). Esta é a nossa condição. E sabemos, com base em nosso próprio coração e nas Escrituras, que somos responsáveis pela corrupção de nosso “querer”. De fato, quanto melhor nos tornamos, tanto mais nos envergonhamos de sermos maus, e não apenas de fazermos o mal. Como disse N. P. Williams, “o homem pode sentir-se envergonhado de praticar o que é errado, mas o santo, capacitado com o aprimoramento superior de uma sensibilidade moral e poderes perspicazes de introspecção, se envergonha de ser o tipo de pessoa que está sujeito a praticar o que é errado”.

A obra soberana e espontânea de Deus em mudar o coração é a nossa única esperança. Portanto, temos de pedir-lhe um novo coração. Temos de orar para que Ele nos dê o “querer” - “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça” (Salmos 119.36). “Alegra a alma do ter servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma”. Deus prometeu fazer isto: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos” (Ezequiel 36.27). Isto é a nova aliança comprada com o sangue de Jesus (ver Hebreus 8.8-13; 9.15). “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4.16).


Fonte: PIPER, John. Provai e Vede. São José dos Campos: Fiel, 1ª edição em português: 2008.