terça-feira, 20 de março de 2012

POR UM ENSINO MAIS HUMANIZADO NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


Nos dias de Jesus o sistema religioso em Israel estava mais focado nas coisas do que nas pessoas. A Instituição era mais importante do que o indivíduo, principalmente os excluídos (mendigos, pobres, leprosos, atormentados, cegos, paralíticos, etc.).

A desvalorização do ser humano podia ser percebida em algumas ações dos discípulos, visto que durante o processo formativo que vivenciavam (discipulado), manifestaram várias vezes a influência que esta visão desumanizadora, característica da sociedade em que viviam, exercia sobre os mesmos.

Em seu desespero, a mulher cananeia foi praticamente ignorada pelos discípulos, quando ao Mestre foi pedido que a despedisse, pois seu clamor e presença os incomodava (Mt 15.23).

Quando o cego Bartimeu clamou por Jesus, a atitude dos seus discípulos foi a de mandar que ele se calasse (Mc 10.48).

Nem as crianças escaparam de tamanha insensibilidade (Lc 18.15-17).

O que dizer então da parábola do bom samaritano (Lc 10.25-37), um claro retrato de uma religiosidade ritualística, mas em nada humanista, onde o cuidado com a pureza cerimonial impede o socorro ao outro, onde o “eu” santo nega ajuda ao “tu” moribundo?

A coisificação do indivíduo, ou a sua plena desvalorização, se manifesta no fazer e nos espaços educativos das mais diversas formas, inclusive, nos fazer e nos espaços educativos cristãos evangélicos.

Nos dias atuais, a Escola Bíblica Dominical reproduz um modelo educativo centrado na transmissão de saberes ou conhecimentos. O professor entende que a sua tarefa se limita a encher a cabeça dos alunos de conteúdos. Desta forma, quando os alunos manifestam certa desenvoltura com a Bíblia, e quando demonstram o domínio de algumas doutrinas, os professores depositantes do saber ficam bastante envaidecidos ao ver que seus alunos, depositários e reprodutores de suas ideias ortodoxas, evoluem substancialmente.

É necessário que haja uma tomada de consciência por parte de superintendentes, dirigentes e professores, que os faça entender que o processo educativo na Escola Bíblica Dominical deve ter como objetivo a formação integral de discípulos/discentes, que extrapola as dimensões do saber, se estendendo para as dimensões do ser (caráter), fazer (serviço) e relacionar-se (comunhão).

A ênfase numa prática educativa que supervaloriza apenas o saber chega ao ponto de levar alguns superintendentes, dirigentes e professores a adotar um sistema de provas (instrumentos avaliativos) fundamentado em notas, que não prova quase nada. Muitas destas tarefas avaliativas são elaboradas sem nenhum critério pedagógico, onde as questões objetivas ou dissertativas são meros exercícios de medição da capacidade de memorização do aluno.

Como bem coloca a educadora e Mestre em Avaliação Educacional Jussara Hoffmann (Avaliar para Promover, Editora Mediação, 2006, p. 19), a avaliação deve levar em conta o desenvolvimento do aluno e o favorecimento do processo de aprendizagem. No contexto da educação cristã a avaliação não pode promover disputas do tipo quem sabe mais ou menos. A avaliação é uma atividade contínua, que não se limita a um exercício ou prova. Tal atividade implica em observação e convivência entre professor e aluno. O progresso integral do aluno, uma vez manifesto (1 Tm 4.15), é a prova cabal do sucesso do professor, que se revela no sucesso do aluno.

Uma educação cristã humanizadora considera gente como gente. Gente carente de saber, mais também de afeto, de atenção, de correção, de restauração, de toque, de abraço, de socorro, de ajuda, de amor, de um olhar, de uma fala, de um sorriso.

Este tipo de ação pedagógica foi praticada por Jesus, que parava para dar atenção aos cegos, mendigos, paralíticos, publicanos, prostitutas, leprosos e fariseus. Os conteúdos ensinados por Jesus eram direcionados para o ser total. Suas aulas não eram apenas exposições de doutrinas e de revelações do sobrenatural (teoria), mas ações concretas e transformadoras de vidas.

A grande revolução do ensino na Escola Dominical não acontecerá com a aquisição de recursos didáticos de última geração, com a criação de classes adequadas e confortáveis, com a admissão de professores mestres e doutores em educação, com a elaboração de um currículo impecável, com a formação continuada de superintendentes, dirigentes, secretarias, coordenadoras e professores, com estratégias de marketing, com o franco apoio do pastor da igreja ou com qualquer outra iniciativa, se tais ações não forem acompanhadas e regadas por uma postura que promova a dignidade dos alunos, fazendo com que percebam que são mais do que um número na classe, um nome na caderneta e um consumidor de revista de lições bíblicas.

É preciso ensinar na Escola Bíblica Dominical considerando a humanidade do aluno, levando em conta suas complexidades e singularidades, suas potencialiades e limitações, sua sapiência e carência.

É preciso ensinar para a glória de Deus!

por ALTAIR GERMANO
fonte: http://prazerdapalavra.com.br

domingo, 18 de março de 2012

Por que alguns acham a Bíblia difícil?

Por: A. W. Tozer
-----

Ninguém pode negar que algumas pessoas acham a Bíblia difícil. Os testemunhos quanto às dificuldades encontradas na leitura bíblica são inúmeros e não podem ser desconsiderados levianamente.

Na experiência humana existe geralmente um complexo de motivos e não um só motivo para tudo, o mesmo acontece com as dificuldades que encontramos na Bíblia. Não se pode dar uma resposta instantânea para a pergunta: Por que a Bíblia é difícil de entender? Qualquer resposta irrefletida tem toda probabilidade de estar errada. O problema não é singular, mas plural, e por esta razão o esforço de encontrar para ele uma solução única será frustrado.

Apesar desse raciocínio, ouso dar uma resposta curta para a pergunta, e embora esta não responda a tudo, contém boa parte da solução do problema envolvido numa questão assim complexa. Acredito que achamos a Bíblia difícil porque tentamos lê-la como leríamos qualquer outro livro, mas ela não se assemelha a nenhum outro livro.

A Bíblia não é dirigida a qualquer um, sua mensagem tem como alvo alguns escolhidos. Quer esses poucos sejam escolhidos por Deus num ato soberano de eleição ou por corresponderem a determinadas qualificações, deixo para cada um decidir como possa, sabendo perfeitamente que sua decisão será determinada pelas suas crenças básicas sobre assuntos tais como predestinação, livre-arbítrio, os decretos eternos e outras doutrinas relativas. Mas o que quer que tenha tido lugar na eternidade, o que acontece no tempo fica evidente: alguns crêem e outros não; alguns são moralmente receptivos e outros não; alguns têm capacidade espiritual e outros não. São para os primeiros que a Bíblia foi escrita, os demais irão lê-la inutilmente.

Sei que alguns leitores vão apresentar objeções vigorosas neste ponto, e as razões para elas são fáceis de descobrir. O cristianismo de hoje se concentra no homem e não em Deus. O Senhor precisa aguardar com toda paciência e até mesmo respeito, sujeitando-se aos caprichos humanos. A imagem de Deus aceita pelo povo é a de um Pai aflito, esforçando-se em desespero amargurado para fazer com que as pessoas aceitem um Salvador de que elas não sentem necessidade e em quem têm pouco interesse. A fim de persuadir essas almas auto-suficientes a responderem às suas ofertas generosas, Deus fará quase tudo, usando até mesmo métodos de venda especiais e lhes falando da maneira mais íntima possível. Este ponto de vista é, naturalmente, um tipo de religião romantizada que consegue fazer do homem a estrela do espetáculo, embora usando com freqüência termos elogiosos e até mesmo embaraçosos em relação a Deus.

A idéia de que a Bíblia é dirigida a todos criou confusão dentro e fora da igreja. O esforço de aplicar os ensinamentos contidos no Sermão do Monte às nações não-regeneradas do mundo é um exemplo disto. Os tribunais e poderes militares da terra são instados a seguirem os ensinos de Cristo, algo evidentemente inviável para eles. Citar as palavras de Cristo como diretriz para policiais, juízes e militares é interpretar absolutamente errado essas palavras e revelar completa falta de compreensão dos propósitos da revelação divina. O convite gracioso de Cristo é estendido aos filhos da graça e não às nações gentias cujos símbolos são o leão, a águia, o dragão e o urso.

Deus não só dirige suas palavras de verdade aos que têm capacidade para recebê-las, como também as oculta aos demais. O pregador faz uso de histórias para esclarecer a verdade, nosso Senhor usou-as muitas vezes para ocultá-la. As parábolas de Cristo foram o exato oposto da moderna "ilustração" que serve para esclarecer; as parábolas eram "ditos obscuros" e Cristo afirmou que fazia uso delas algumas vezes a fim de que seus discípulos pudessem compreender, mas não os inimigos. (Veja Mateus 13:10-17.) Assim como a coluna de fogo iluminava Israel, mas servia para ocultá-los aos olhos dos egípcios, as palavras do Senhor brilham no coração do seu povo embora deixem o incrédulo presunçoso nas trevas da noite moral.

O poder salvador da Palavra fica reservado para aqueles a quem ele se destina. O segredo do Senhor está com aqueles que O temem. O coração impenitente não descobrirá na Bíblia senão um esqueleto de fatos sem carne, vida, ou fôlego de vida. Shakespeare pode ser apreciado sem necessidade de arrependimento; podemos entender Platão sem acreditar numa palavra que ele diz; mas a penitência e a humildade juntamente com a fé e a obediência são necessárias a fim de que as Escrituras possam ser compreendidas corretamente.

Nos assuntos naturais, a fé segue-se à evidência, sendo impossível sem ela, mas no reino do espírito, ela precede o entendimento; e não se segue a ele. O homem natural precisa saber a fim de acreditar; o homem espiritual precisa crer para vir a conhecer. A fé que salva não é uma conclusão extraída da evidência; mas uma coisa moral, uma coisa do espírito, uma infusão sobrenatural de confiança em Jesus Cristo, um perfeito dom de Deus.

A fé salvadora se baseia na Pessoa de Cristo; ela leva imediatamente a uma rendição do nosso ser total a Cristo, cujo ato é impossível ao homem natural. Crer corretamente é um milagre comparável ao da ressurreição de Lázaro sob a ordem de Cristo.

A Bíblia é um livro sobrenatural e só pode ser entendido com ajuda sobrenatural.

Fonte: http://2timoteo316.blogspot.com.br/

terça-feira, 6 de março de 2012

Características de um Bom Professor


As características do professor estão muito ligadas à sua personalidade e ao seu caráter. Estas características são também individuais e dependem da situação e da matéria. Sugerimos que você faça uma lista que contenha 5 (cinco) características de um bom e experiente professor.

Geralmente os educadores estão de acordo com respeito às qualidades necessárias. Como resultado de um seminário, professores elaboram uma lista que contém as características (importantes) de um bom professor, a saber:

1. Conhece profundamente a matéria a ser ensinada.
2. Prepara cada aula de forma específica, identificando claramente o objetivo de cada lição e aula.
3. Explica aos alunos o objetivo da lição.
4. Explica o motivo da tarefa a ser realizada.
5. Cria um ambiente agradável para o aprendizado.
6. Gosta de trabalhar com os alunos.
7. Dá instruções claras e é bem organizado.
8. Apresenta o conteúdo da matéria com modelos ou exemplos.
9. Mantém-se dentro dos limites do objetivo.
10. Exige muito dos alunos, treina-os para que sejam responsáveis quanto ao estudo.
11. Atua de maneira constante.
12. É dedicado e responsável, exige muito de si mesmo.
13. É criativo, versátil na maneira de ensinar, possui novas ideias e novos materiais.
14. É entusiasta e enérgico, porém aceita ideias dos alunos.
15. Notifica o aluno quanto ao seu aproveitamento.
16. É flexível, está sempre disposto a dar e receber (aconselhar e escutar).
17. Provê oportunidades de aprendizagem para os alunos atrasados ou avançados sem causar embaraços, isto é, adapta o ensino segundo as necessidades individuais dos alunos.
18. Estimula a sala de aula para que haja respeito mútuo e cooperação (lições e pesquisas em grupo).
19. Trata os alunos como indivíduos.
20. Respeita as opiniões dos alunos, reagindo sempre de maneira construtiva.
21. Encoraja os alunos a melhorar e ter um bom conceito de si mesmos.
22. Tem senso de humor, expressa seus sentimentos e atitudes.
23. Tem um relacionamento amigável com os alunos, mantendo a disciplina.
24. Coopera com os outros professores.
25. Veste-se de forma adequada.
26. Usa métodos de ensino comprovados.
27. Continua seu desenvolvimento profissional.
28. Conhece a vida pessoal dos alunos.
29. Importa-se em conhecer a comunidade e os recursos locais.


Várias pesquisas indicam cinco pontos essenciais que descrevem um bom professor. São eles:

1) Conhecer bem a matéria. 
2) Tratar os alunos como indivíduos e ser amigável.
3) Ser criativo, entusiasta e inovador no preparo das aulas.
4) Ser exigente e manter a disciplina.
5) Manter-se dentro dos limites do objetivo.


CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS DESSES PROFESSORES

1. Demonstram conhecimento da aula.
2. Têm uma atitude amigável uns para com os outros e para com o professor.
3. São responsáveis quanto ao aprendizado.
4. Respeitam o currículo e a escola.
5. Aprendem conceitos, habilidades e atitudes conforme o currículo, segundo os resultados dos testes correspondentes.
6. Demonstram um comportamento que indica uma atitude positiva para com os outros alunos e para consigo mesmos.
7. Geralmente não existe nenhum problema de comportamento em sala de aula.
8. Aprendem muito mais e melhor.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Não sei as línguas originais! O que posso fazer?


.



O mundo ideal seria aquele em que todos os cristãos fossem profundos conhecedores das línguas originais da Bíblia para potencializar o estudo da Palavra ao máximo. Bem sei que isso é uma utopia. Estudar grego e hebraico, para alcançar um domínio mínimo dessas línguas a ponto de superar as limitações de uma tradução, não é tarefa para qualquer pessoa. Requer aptidão, muita dedicação, tempo e investimento com aulas e livros.


Nenhuma tradução será perfeita, e o conhecimento da língua original permite ir mais longe do que a tradução pôde expressar. Mas se você não pode recorrer aos originais, o que você fazer? A melhor recomendação seria: compre todas as versões (traduções) diferentes que você encontrar. Comparando as diversas traduções disponíveis no mercado brasileiro é possível trabalhar, com muito mais segurança, a hermenêutica de alguns textos mesmo sem conhecer os originais. Vou citar apenas um exemplo.
“Porém tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel.”
Salmo 22:3 [ARC]

Muitos são levados a acreditar que Deus verdadeiramente “habita” nos louvores por causa da tradução da Almeida Revista e Corrigida ou Corrigida e Fiel. Acreditam que o salmista esteja afirmando que Deus estará presente sempre que se entoar um louvor. Mas vamos, antes de tirar quaisquer conclusões, comparar com a Almeida Revista e Atualizada, ou Almeida Edição Contemporânea: "Contudo tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel.” 

Eu não preciso recorrer aos originais para descobrir que a palavra hebraica para “habitar” também pode significar “entronizar”. Não preciso recorrer aos originais para entender que o salmista, na verdade, queria dizer que Deus estava no centro dos louvores, Deus era o “tema”, Deus era engrandecido nos louvores de Israel. Não se louva outro Deus além do SENHOR em Israel! Essa era a mensagem do salmista.

Acredito que o exemplo do Salmo 22:3 é suficiente para mostrar a importância de possuir diversas versões (traduções) da Bíblia para comparar textos difíceis de entender, principalmente para as pessoas que não sabem os originais (grego e hebraico).

Se você acha que nunca aprenderá esses idiomas tão estranhos, não deixe de estudar e conhecer cada vez mais a Palavra de Deus mesmo em português. A Palavra de Deus em português é poderosa para a sua edificação e para o seu sustento espiritual pleno. O que não pode é também apresentar deficiência na língua portuguesa e acabar distorcendo ou não entendo os ensinos de Deus para a sua vida.

Se você tem dificuldades para ler uma versão como a Almeida Revista e Corrigida, Revista e Atualizada, Corrigida e Fiel ou a Edição Contemporânea, adquira uma Bíblia com a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) da Sociedade Bíblica Brasileira. O que importa é alimentar-se e ser produtivo! 

créditos: André R. Fonseca
Fonte:www.andrerfonseca.com


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Um verdadeiro discípulo

"...Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos" (João 8:31)


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma parábola...



"Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. " (1 Coríntios 12:18-21)


Nariz e Mão estavam assentados e conversavam a igreja. O culto da manhã, conduzido por Ouvido e Boca, havia terminado, e Mão estava dizendo a Nariz que ele sua família tinham decidido procurar uma igreja diferente.

“Verdade?” - reagiu Nariz à notícia dada por Mão. “Por quê?”

“Oh! eu não sei!”, respondeu Mão, olhando para baixo. Ele costumava ser mais demorado a falar do que os outros membros da igreja. “Acho que isso se deve ao fato de que a igreja não tenha o que minha esposa e eu desejamos.”

“Então, o que vocês procuram em uma igreja?”, perguntou Nariz. Ele falou estas palavras em um tom de simpatia. Mas, ainda que falasse daquela maneira, sabia que rejeitaria a resposta que Mão lhe daria. Se ele e sua esposa não podiam ver que Nariz e os demais líderes estavam conduzindo a igreja na direção certa, a igreja poderia prosseguir sem eles.

Mão tinha que pensar antes de responder. Ele e sua esposa gostavam do pastor Boca e de sua família. E o ministro de música, o Sr. Ouvido, trabalhava muito bem. “Ora, creio que estamos procurando uma igreja em que as pessoas são mais parecidas conosco”, ele declarou finalmente.

“Tentamos gastar tempo com os Pernas, mas não nos saímos bem. Em seguida, nos unimos no pequeno grupo para todos os Pés. Mas eles teimavam em conversar sobre meias, sapatos e odores. E isso não nos interessa.”

Agora, Nariz olhou para ele com verdadeira surpresa: “Vocês não se alegram em que eles se interessem por odores?”

“Claro, com certeza. Mas isso não é para nós. Depois, frequentamos a Escola Dominical que atende a todos vocês, características faciais. Você se lembra? Viemos durante vários domingos, alguns meses atrás?”

“Foi ótimo ter vocês conosco.”

“Obrigado. Mas todos querem apenas conversar, ouvir, cheirar e saborear. Senti como se vocês nunca quisessem trabalhar e sujar as mãos. De qualquer modo, minha esposa e eu pensamos em examinar aquela igreja nova no lado oeste da cidade. Ouvimos que eles batem muitas palmas e levantam as mãos, e isso se aproxima do que necessitamos agora.”

“Hum!”, respondeu Nariz. “Entendo o que você quer dizer. Não desejamos vê-los deixar a igreja. Mas acho que devem fazer o que é bom para vocês.”

Naquele momento, A Sra. Mão, que estivera envolvida em outra conversa, se voltou para unir-se ao esposo e ao Sr. Nariz. O Sr. Mão explicou brevemente o que ele e Nariz conversavam; depois disso, Nariz reiterou sua tristeza ante a perspectiva da saída deles. Contudo, ele disse outra vez que entendia o desejo deles, visto parecer que suas necessidades não estavam sendo satisfeitas.

A Sra. Mão balançou a cabeça em confirmação. Ela queria ser educada, mas, verdade seja dita, não estava triste por deixar a igreja. Durante os anos, seu esposo fizera tantas observações críticas a respeito da igreja, que seu coração começara a refletir tais críticas. De fato, ele costumava desculpar-se por “ser tão negativo”, conforme dizia. Contudo, as pequenas queixas que ele deixava escapar aqui e ali tiveram efeito. Os pequenos grupos eram de certo modo falaciosos. A música era um pouco desatualizada. Os programas pareciam ingênuos. O ensino não se harmonizava com o gosto deles. Afinal de contas, era-lhes difícil identificar com exatidão todos os problemas, mas já haviam decidido que a igreja não lhes servia.

Além de tudo isso, a Sra. Mão sabia que Dedo Mínimo, seu filho, não se sentia a vontade no grupo de jovens. Todos eram muito diferentes dele;  por isso, se sentia inconveniente ao grupo.

A Sra. Mão disse algo a respeito de como apreciava o Sr. Nariz e os líderes da igreja. No entanto, a conversa já tinha ido longe demais para ele. E, ainda, o perfume da Sra. Mão fazia com que ele desejasse espirrar. Agradeceu à Sra. Mão o encorajamento, reafirmou sua tristeza por ouvir que deixariam a igreja, virou-se e afastou. Quem tinha necessidade dos Mãos? Aparentemente, eles não precisavam do Sr. Nariz.

 (extraído de "O que é uma igreja saudável?", de Mark Dever. Editora Fiel, 2009, pgs. 9-11)


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dicas para escolher uma Bíblia de estudo pessoal

*publicado inicialmente no CincoSolas

Algumas pessoas pedem dicas para comprar uma Bíblia de estudo. São várias as opções no mercado, então ao invés de indicar uma em específico, listo as principais características de uma boa Bíblia de estudo pessoal. Você verá que não tem muito a ver com as Bíblias comerciais existentes no mercado.

1. Letras grandes

Se você vai estudar a Bíblia, irá lê-la frequentemente.
Então a principal características é que ela seja de fácil leitura, ou seja, que não canse a vista. É bom que você verifique o tamanho e o tipo da fonte, além da cor do papel, para ver se proporciona uma leitura confortável.

2. Margens grandes

Bíblia pequena geralmente implica letra pequena e margens pequenas. Se você vai estudar a Bíblia, deverá fazer anotações nas margens. Por isso as margens devem ser de tamanho tal que permitam o registro de observações, descobertas e pontos de vista.

3. Ausência de notas

Um dos principais obstáculos a um estudo proveitoso do texto bíblico é a existência de notas. Elas competem em autoridade com o texto e produzem preconceitos. Você deve estudar o que a Bíblia diz e não o que alguém diz sobre o que a Bíblia diz.

4. Sem subtítulos

Isto não é de importância fundamental, mas se você encontrar Bíblias que não tragam subtítulos, é melhor. Pois estes também acabam por te levar ao texto com uma idéia pré-concebida, às vezes não tão precisa. Por exemplo, no texto com a oração que o Senhor ensinou, às vezes encontramos o título "A oração do Senhor", quando a oração do Senhor está em João 17.

5. Com referências cruzadas

Referências cruzadas indicam passagens paralelas. São bastante úteis para você comparar Escritura com Escritura, obtendo o ensino geral das Escrituras sobre um determinado tema.

6. Com concordância

Um concordância ajuda você a encontrar passagens bíblicas que você já leu, a partir de algumas palavras que você lembra que estão no texto. Também é útil para estudo de grandes temas da Bíblia

7. Tradução verdadeira

Deixei por último a dica mais importante. A escolha de uma boa tradução é fundamental. O primeiro critério é que seja de fato uma tradução verdadeira e não uma paráfrase. Embora as paráfrases como a Bíblia na Linguagem de Hoje, a Bíblia Viva e Cartas para Hoje sejam de fácil leitura, são uma interpretação e não uma tradução propriamente dita. Entre as traduções, considero as melhores para estudo, embora não sejam de tão fácil leitura, a Almeida Corrigida Fiel e Almeida Revista e Corrigida. Outras boas opções são a Almeida Revista e Atualizada e a Nova Versão Internacional.


Fonte: http://cincosolas.blogspot.com