sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A excomunhão de Martinho Lutero


Seus escritos percorriam toda a Europa e contestavam o dogmatismo de Roma
Martinho Lutero e seus partidários são excomungados pela bula papal Decet romanum pontificem em 3 de janeiro de 1521. Ainda assim, não tendo sido condenado à pena de morte, ele continuaria a defender sua doutrina diante da Dieta de Worms.
O Papa Leão X chegou a classificar Lutero como um "alemão bêbado que escrevera as teses", e afirmou que quando estivesse sóbrio mudaria de opinião. Em 1518, ele pediu ao professor de teologia Silvestro Mazzolini que investigasse o assunto. O “protestante” foi então denunciado por se opor de maneira implícita à autoridade do Sumo Pontífice. Declarou Lutero um herege e escreveu uma refutação acadêmica. Nela, mantinha a autoridade papal sobre a Igreja e condenava as teorias de Lutero como um desvio, uma apostasia. Foi a réplica de Lutero que deu início à controvérsia.
Lutero participou da convenção dos agostinianos em Heidelberg, onde apresentou uma tese sobre a escravidão do homem ao pecado e à graça divina. No decurso da controvérsia sobre as indulgências, o debate se elevou ao ponto de suscitar a dúvida do poder absoluto e da autoridade do Papa. O argumento era de que as doutrinas de "tesouraria da Igreja" e "tesouraria dos merecimentos" serviam para reforçar a doutrina e a venda das indulgências. O papa ordenou que Lutero viajasse para Roma, coisa que, por razões políticas, nunca ocorreu.
O papa tentou alcançar uma solução pacífica para o conflito e contou com o auxílio de Frederico o Sábio, um protetor de Lutero. Uma conferência com o representante papal Karl von Miltitz em Altenburg, em janeiro de 1519, levou Lutero a optar pelo silêncio.
Lutero negava o direito divino do solidéu papal e da autoridade de possuir as chaves do Céu que, segundo ele, haviam sido outorgadas apenas ao próprio Apóstolo Pedro. Não parecia haver esperanças de entendimento. Os escritos de Lutero, graças à recente invenção da imprensa, circulavam amplamente, alcançando França, Inglaterra e Itália. Estudantes dirigiam-se a Wittenberg apenas para escutar Lutero.
As controvérsias geradas por seus textos levaram Lutero a desenvolver suas doutrinas mais a fundo. OSermão sobre o Sacramento Abençoado do Verdadeiro e Santo Corpo de Cristo, e suas Irmandades, ampliou o significado da eucaristia para incluir também o perdão dos pecados e o fortalecimento da fé naqueles que a recebem.
O conceito luterano de igreja foi desenvolvido no sermão Sobre o Papado de Roma, uma resposta ao ataque do franciscano Augustin von Alveld, em Leipzig, em junho de 1520. O seu Sermão das Boas Obras, publicado na primavera de 1520, era contrário à doutrina católica das “boas obras” e dos atos como meio de perdão. As obras do crente são verdadeiramente boas se ordenadas por Deus.
Os debates de Leipzig, em 1519, fizeram com que Lutero travasse contato com humanistas como Melanchthon, Reuchlin e Erasmo de Roterdã. O nobre Franz von Sickingen e Silvestre de Schauenburg queriam manter Lutero sob sua proteção em seus castelos, pois não julgavam seguro permanecer em uma Saxônia sob proscrição papal.
Em agosto de 1520, Lutero escreveu À Nobreza Cristã da Nação Alemã em que recomendava ao laicato, como um sacerdote espiritual, que fizesse a reforma requisitada por Deus e abandonada pelo Papa e seu clero. Pela primeira vez Lutero referiu-se ao Papa como o Anticristo.
A 15 de junho de 1520, o Papa advertiu Lutero com a bula Exsurge Domine, que o ameaçava com a excomunhão caso não repudiasse 41 pontos de sua doutrina.
Em outubro de 1520, Lutero enviou ao Papa seu escrito A Liberdade de um Cristão, em que diz: "Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".


A fonte do ensino cristão


"Preguem para si mesmos os sermões que estudam, antes de pregar a outros. Tal prática será para seu próprio bem e jamais será trabalho perdido; entretanto, eu falo sobre a responsabilidade ministerial, isto é, que isso seja feito também para o bem da igreja. Quando suas mentes se acertarem em santificação e paz, suas congregações participarão dos frutos do seu crescimento. Suas orações, seu louvor e doutrina lhes serão como delícias celestiais. Seus ouvintes perceberão que os senhores estiveram com Deus; aquilo que estiver em seus corações estará nos ouvidos deles." (Richard Baxter)

BAXTER, Richard. Manual pastoral de Discipulado. Editora Cultura Cristã, 2008.



Exatidão Exegética

Nossa tarefa é clara: temos de usar os lábios para explicar e proclamar a Palavra de Deus, aplicando-a à consciência e vida das pessoas que nos ouvem. Mas, onde encontramos as palavras de Deus? Tudo o que Deus tem a dizer aos homens e mulheres foi escrito nas palavras e sentenças que constituem a Bíblia. Essas palavras e sentenças possuem um significado intencional. Portanto, nada – nada mesmo – pode ser mais importante que conhecer o significado correto. O estudo que revela o significado intencional das palavras e sentenças da Bíblia chama-se exegese. Não haverá um pregador verdadeiro, se tudo o que disser não estiver fundamentado em exatidão exegética.

Pecamos quando pregamos aquilo que achamos que as Escrituras afirmam, e não pregamos o seu verdadeiro significado. Também pecamos quando pregamos os pensamentos que a Palavra desperta em nosso intelecto e não aquilo que a Palavra realmente declara. Um arauto é traidor, se não transmite exatamente o que o Rei diz. Quem ousará colocar-se diante de uma congregação e proclamar: “Assim diz o Senhor”, afirmando em seguida, no nome do Senhor, aquilo que ele não disse?  Precisamos enfatizar novamente: na pregação, não existe nada – nada mesmo – que seja mais importante que a exatidão exegética.

Trecho extraído do livro "Pregação Pura e Simples".

OLYOTT, Stuart. Pregação Pura e Simples. Editora Fiel: 2005, pg. 29.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

OUVINDO, MAS NÃO OBEDECENDO


Os mais notáveis cristãos confirmam unanimemente que, quanto mais perto de Deus, mais aguda e viva se torna a consciência do pecado e o sentimento de desvalia pessoal. As almas mais puras jamais conheceram quão puras eram, e os grandes santos nunca souberam que eram grandes. O próprio pensamento de que eram bons ou grandes teria sido rejeitado por eles como tentação de Satanás.

Ficaram tão enlevados e preocupados em contem­plar a face de Deus que tiveram mui pouco tempo para olhar para si mesmos. Ficaram mais que enlevados nesse doce paradoxo de consciência ou conhecimento espiritual, pelo qual conheceram que estavam limpos mediante o sangue do Cordeiro, e pelo qual sentiram que mereciam somente a Morte e o Inferno, por justa paga. Este sentimento aparece mui nítido e forte nos escritos do Apóstolo Paulo, e igualmente o encontra­mos expresso em quase todos os livros devocionais, bem como nos hinos sacros de maior valia e mais que­ridos.

A qualidade ou virtude da cristandade evangélica há de melhorar muito, caso o desusado interesse que hoje se nota pela religião não deixe a Igreja em pior estado que antes de haver aparecido o fenômeno. Se prestarmos atenção, creio que ouviremos o Senhor dizer a nós aquilo que disse certa vez a Josué: “Dispõe-te agora, passa este Jordão tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.” Ou ouviremos o escritor da Carta aos Hebreus dizendo-nos: “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito.” E, por certo, ouviremos o Apóstolo Paulo a nos exor­tar que “nos enchamos do Espírito Santo”.


       Se estivermos suficientemente despertos para ouvir a voz de Deus, de modo algum podemos nos contentar apenas com o “crer nisso”. Como pode o homem crer numa ordem, ou mandamento? Os mandamentos se dão para serem observados, obedecidos; e, enquanto não os pusermos em prática, nada temos feito de po­sitivo. E mais: ouvir mandamentos e deixar de lhes obedecer é infinitamente pior do que nunca os ter ouvido, especialmente à luz do iminente retorno de Cristo e Seu juízo vindouro.



TOZER, A.W. O Caminho do Poder Espiritual. Vol.1, série A.W.Tozer. Mundo Cristão: 1985, 4.ed.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não basta possuirmos as Escrituras

"A Palavra de Deus é a espada do Espírito (Ef 6:17). Jamais estaremos combatendo, como convém ao crente, enquanto não estivermos usando a Bíblia como nossa principal arma de ataque e defesa. A Palavra de Deus também é lâmpada para os nossos pés. Jamais nos conservaremos no elevado caminho do Rei, que leva ao céu, se não estivermos jordaneando iluminados por essa luz. Com toda razão podemos temer que, entre os crentes, a Bíblia não é lida de maneira suficiente. Não basta possuirmos as Escrituras. É necessário lê-las e orar a respeito de nós mesmos. A Bíblia não nos fará nenhum bem se, tão somente, ficar guardada em nossos lares. Antes, precisamos estar familiarizados com o conteúdo das Escrituras, com seu texto armazenado em nossa mente e em nossa memória. O conhecimento bíblico nunca pode ser adquirido por mera intuição. Tal conhecimento só pode ser adquirido mediante a leitura regular, trabalhosa, diária, atenta e desperta. Queixamo-nos do tempo e do trabalho que isso nos custa? Se assim estivermos fazendo, então isso será sinal de que ainda não estamos aptos para o reino de Deus."

RYLE, J.C. Meditações no Livro de Mateus. Editora Fiel, 2002, 2.ed, pg. 22. 



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Dez mandamentos do ensino-aprendizagem na Escola Dominical.

1º  Não terás outras doutrinas além da Bíblia.


2º Não farás para ti imagem negativa do teu aluno, nem algum preconceito do que ele já sabe, nem em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

3º Não tomarás a palavra do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente quem cria heresias.

4º Lembra-te do dia do sábado, para finalizar a lição e o teu plano de aula.

5º Honra o conhecimento e a inteligência do teu aluno, para que se prolongue seu aprendizado na terra.

6º Não matarás o desejo de aprender do aluno.

7º Não adulterarás o conhecimento bíblico.

8º Não furtarás a criatividade.

9º Não dirás falso testemunho contra teu aluno, afirmando que ele não sabe de nada.

10º Não cobiçarás a sabedoria do teu próximo, não cobiçarás a inteligência do teu próximo, nem o seu conhecimento, nem a sua criatividade, nem o seu dinamismo, nem a sua didática, nem a sua metodologia, nem coisa alguma do teu próximo, mas compartilha com ele a sua necessidade em aprender.

Fonte: http://adj5.no.comunidades.net


sábado, 31 de dezembro de 2011

Os quatro pilares da Educação

Os quatro pilares de uma educação para o século XXI e suas implicações na prática pedagógica

Zuleide Blanco Rodrigues*

O livro Educação: um Tesouro a Descobrir, sob a coordenação de Jacques Delors, aborda de forma bastante didática e com muita propriedade os quatro pilares de uma educação para o século XXI, associando-os e identificando-os com algumas máximas da Pedagogia prospectiva, e subsidia o trabalho de pessoas comprometidas a buscar uma educação de qualidade. Diz o texto na página 89: “À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”.

Segundo Delors, a prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens fundamentais, que serão para cada indivíduo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer indica o interesse, a abertura para o conhecimento, que verdadeiramente liberta da ignorância; aprender a fazer mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; aprender a conviver traz o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e o exercício de fraternidade como caminho do entendimento; e, finalmente, aprender a ser, que, talvez, seja o mais importante por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver.

Os pilares são quatro, e os saberes e competências a se adquirir são apresentados, aparentemente, divididos. Essas quatro vias não podem, no entanto, dissociar-se por estarem imbricadas, constituindo interação com o fim único de uma formação holística do indivíduo.

Jacques Delors (1998) aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda vida, fundamentada em quatro pilares, que são, concomitantemente, do conhecimento e da formação continuada.

A seguir, é apresentada uma síntese dos quatro pilares para a educação no século XXI.

Aprender a conhecer – É necessário tornar prazeroso o ato de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento para que não seja efêmero, para que se mantenha ao longo do tempo e para que valorize a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente. É preciso também pensar o novo, reconstruir o velho e reinventar o pensar.

Aprender a fazer – Não basta preparar-se com cuidados para inserir-se no setor do trabalho. A rápida evolução por que passam as profissões pede que o indivíduo esteja apto a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe, desenvolvendo espírito cooperativo e de humildade na reelaboração conceitual e nas trocas, valores necessários ao trabalho coletivo. Ter iniciativa e intuição, gostar de uma certa dose de risco, saber comunicar-se e resolver conflitos e ser flexível. Aprender a fazer envolve uma série de técnicas a serem trabalhadas.

Aprender a conviver – No mundo atual, este é um importantíssimo aprendizado por ser valorizado quem aprende a viver com os outros, a compreendê-los, a desenvolver a percepção de interdependência, a administrar conflitos, a participar de projetos comuns, a ter prazer no esforço comum.

Aprender a ser – É importante desenvolver sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade pessoal, pensamento autônomo e crítico, imaginação, criatividade, iniciativa e crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. A aprendizagem precisa ser integral, não negligenciando nenhuma das potencialidades de cada indivíduo.

Com base nessa visão dos quatro pilares do conhecimento, pode-se prever grandes conseqüências na educação. O ensino-aprendizagem voltado apenas para a absorção de conhecimento e que tem sido objeto de preocupação constante de quem ensina deverá dar lugar ao ensinar a pensar, saber comunicar-se e pesquisar, ter raciocínio lógico, fazer sínteses e elaborações teóricas, ser independente e autônomo; enfim, ser socialmente competente.

Uma educação fundamentada nos quatro pilares acima elencados sugere alguns procedimentos didáticos que lhe seja condizente, como:
  • Relacionar o tema com a experiência do estudante e de outros personagens do contexto social;
  • Desenvolver a pedagogia da pergunta (Paulo Freire e Antonio Faundez, Por uma Pedagogia da Pergunta, Editora Paz e Terra, 1985);
  • Proporcionar uma relação dialógica com o estudante;
  • Envolver o estudante num processo que conduz a resultados, conclusões ou compromissos com a prática;
  • Oferecer um processo de auto-aprendizagem e co-responsabilidade no processo de aprendizagem;
  • Utilizar o jogo pedagógico com o princípio de construir o texto.
Conclusão

Presenciamos um momento muito importante em nosso país, o da demanda por educação, que, ao crescer, faz com que sociedade e instituições, em uníssono, movimentem-se no atendimento a essa urgência nacional. Essa é uma tarefa importante e é isso que se espera que o Brasil faça. Temos materiais e idéias. É preciso pôr em prática todos os estudos e projetos para a modernização da educação.

Para mudar nossa história e lograr conquistas, precisamos ousar em cortar as cordas que impedem o próprio crescimento, exercitar a cidadania plena, aprender a usar o poder da visão crítica, entender o contexto desse mundo, ser o ator da própria história, cultivar o sentimento de solidariedade, lutar por uma sociedade mais justa e solidária e, acima de tudo, acreditar sempre no poder transformador da educação.

Sugestão de leituras

DELORS, Jacques (Coord.). Os quatro pilares da educação. In: Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortezo. p. 89-102.
FREIRE, Paulo; FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

by http://www.educacional.com.br/articulistas/outrosEducacao_artigo.asp?artigo=artigo0056