quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A parábola da faca


"No mundo há somente uma coisa  digna de 
ser buscada:  o conhecimento de Deus." 
(Robert H. Benson)



Havia um jovem tolo, para o qual foi dado uma faca, serrilhada de um lado e cega do outro. Este recebeu a faca com a parte cega para cima e por causa disto só observou e admirou tal parte. Ele inicialmente começou a passar o dedo sobre o mesmo lado da faca e observou que nada lhe acontecia. Após algum tempo, ele começou a passá-la no braço e percebeu que também nada lhe acontecia. Assim, concluiu que a faca era inofensiva.

Quando chegou a sua casa, tão empolgado quanto desavisado, chamou sua sábia mãe e mostrou-lhe a faca e lhe falou que a faca era inofensiva e para provar passou a parte cega em seu braço, ao passo que a sábia mãe somente disse para ele tomar cuidado que ele ia se cortar.

O jovem ficou revoltado com a mãe. “Como uma faca tão inofensiva faria algum mal para mim”. Então passou a provar sua tolice demonstrando a muitos quão inofensiva era a faca. Em uma demonstração, por desaviso e descuido, ele inverteu o lado da faca. Ao passá-la no braço, obviamente, cortou-se e desesperado jogou a faca longe e exclamou:

- Esta não é minha faca. Esta nunca poderia ser minha faca. Eu quero a minha faca.

Ao chegar correndo em casa, sua mãe tratou-lhe o ferimento e lhe disse:

- Jovem néscio, eu te avisei que você poderia se cortar com aquela faca, mas você em sua tolice ignorou que ela possuía dois lados e por isso se machucou. Ainda bem que você está vivo. Nunca lhe passou pela cabeça que você podia ter se matado?

Após recuperar-se, o jovem, triste com sua tolice, voltou ao local aonde tinha jogado a faca. Ao pegá-la, um temor correu-lhe pela espinha. Agora ele a conhecia, agora ele verdadeiramente a conhecia.

Igualmente tolo é aquele que fica olhando somente para os atributos de Deus que lhe agradam e não busca conhecê-lo (na medida do possível para nossas pequenas mentes) na extensão de seu majestoso caráter.

“Você pensa que eu sou como você? Mas agora eu o acusarei diretamente, sem omitir coisa alguma. Considerem isto, vocês que se esquecem de Deus; caso contrário os despedaçarei, sem que ninguém os livre.” [Salmos 50: 21, 22]

Buscamos conhecer o amor, a bondade, a misericórdia e a graça divina, mas será que buscamos com o mesmo empenho conhecer a justiça, a ira, a soberania, a santidade e a glória de Deus? Nosso conhecimento de Deus deve ser completo, para que sejamos completos nele. Se nos apegamos mais a alguns dos atributos de Deus e desprezamos os demais, acabamos inconscientemente criando o nosso próprio deus: apenas com o que apreciamos, e rejeitando o que desprezamos.

Deus nos é suficiente e nos regozijamos Nele em todas as suas perfeições. Canto de alegria perante sua misericórdia, bem como me prostro ante sua justiça. Reconheço o seu amor que dura para sempre, e temo e tremo diante de sua ira. Os atributos de Deus se completam; os traços de seu caráter glorioso formam a perfeição absoluta.

Portanto, aos santos que pecaram e estão arrependidos, convém lembrar-se do amor e da misericórdia de Deus: “certamente, a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida”! Aos que estão endurecidos pelo pecado, convém dizer: “Fujam da ira divina que está por vir”! Aos que sofrem injustamente, ou aos que trapaceiam, bradamos: “A justiça é base do Seu trono”! Aos que estão fraquejando, cantamos alegremente: “Ele é o Deus Forte”!

Entender quem é Deus e a base para a vida cristã feliz e completa. O cristianismo sadio começa com um conhecimento verdadeiro de Deus. Oh, que tenhamos os olhos de nosso coração abertos, para vermos a plenitude de seu caráter! Adoraremos e nos prostraremos diante de Deus, por todas as facetas de sua glória! Amamos o Deus da Bíblia, o único Verdadeiro, e não os deuses das nações, inventados pela mente humana!

Fonte: voltemosaoevangelho.com

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O outro evangelho

[por Artur W. Pink]

[...] . Satanás é um arqui-imitador. Ele está agora em atividade no mesmo campo em que o Senhor Jesus semeou a boa semente. O diabo está procurando impedir o crescimento do trigo, utilizando-se de outra planta, o joio, que em aparência se assemelha muito ao trigo. Em resumo, por meio de um processo de imitação, Satanás está almejando neutralizar a obra de Cristo. Portanto, assim como Cristo tem um evangelho, Satanás também possui um evangelho, que é uma imitação sagaz do evangelho de Cristo. O evangelho de Satanás se parece tanto com aquele que procura imitar, que multidões de pessoas não-salvas são enganadas por este evangelho.

O apóstolo Paulo se referiu a este evangelho, quando disse: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7). Este falso evangelho estava sendo proclamado mesmo nos dias do apóstolo, e uma terrível maldição foi lançada sobre aqueles que o pregavam. O apóstolo continuou: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (v. 8). Com a ajuda de Deus, nos esforçaremos para explicar, ou melhor, para desmascarar este falso evangelho.


O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem mesmo um programa de anarquia. Este evangelho não promove conflitos ou guerras, mas tem como alvo a paz e a unidade. Não procura colocar a mãe contra a filha, nem o pai contra o filho; ao invés disso, ele fomenta o espírito de fraternidade pelo qual a raça humana é considerada uma grande “irmandade”.

Este evangelho não procura mortificar o homem natural, e sim aprimorá-lo e enaltecê-lo. O evangelho de Satanás defende a educação e a instrução, apelando ao “melhor que há no íntimo do ser humano”; tem como alvo fazer deste mundo um habitat tão confortável e agradável, que a ausência de Cristo não será sentida e Deus não será necessário. O evangelho de Satanás se esforça para manter o homem tão ocupado com as coisas deste mundo, que não tem ocasião nem inclinação para pensar no mundo por vir. Este evangelho propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade e da benevolência, ensinando-nos a viver para o bem dos outros e sermos bondosos para todos. Apela fortemente à mentalidade carnal, tornando-se popular entre as massas, porque ignora os solenes fatos de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, está alienado da vida de Deus, morto em delitos e pecados, e de que a única esperança se encontra em ser nascido de novo.

Em distinção ao evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina que a salvação se realiza por meio das obras; incute na mente das pessoas a ideia de que a justificação diante de Deus ocorre com base nos méritos humanos. A frase sagrada do evangelho de Satanás é: “Seja bom e faça o bem”; mas falha em reconhecer que na carne não habita bem algum. O evangelho de Satanás anuncia uma salvação que se realiza por meio do caráter, uma salvação que é o reverso da ordem estabelecida por Deus, em sua Palavra — o caráter se manifesta como fruto da salvação.

As ramificações e organizações deste evangelho são multiformes. Temperança, movimentos de reforma, associações de cristãos socialistas, sociedades de cultura ética, congressos sobre a paz, todas estas coisas são empregadas (talvez inconscientemente) em proclamar este evangelho de Satanás — a salvação pelas obras.

Cristo é substituído pelo cartão de apelo; o novo nascimento do indivíduo é trocado pela pureza social; e a doutrina e a piedade são substituídas por filosofia e política. A cultivação do velho homem é considerada mais prática do que a criação de um novo homem em Cristo Jesus, enquanto a paz universal é procurada sem a interposição e o retorno do Príncipe da Paz.  [...]


Fonte: voltemosaoevangelho.com

Leia o texto completo em http://www.monergismo.com/textos/evangelho/outroevangelho_pink.pdf

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cantai ao Senhor um cântico novo



[Santo Agostinho]

Somos convidados a cantar ao Senhor um cântico novo (Sl 149, 1). É o homem novo que conhece este cântico novo. O cântico é alegria e, se o analisarmos com mais atenção, também é amor. Aquele que sabe amar a vida nova conhece esse cântico novo. Mas também é necessário que estejamos conscientes do que é a vida nova por causa do cântico novo. Tudo isto faz arte do mesmo Reino: o homem novo, o cântico novo, a nova aliança. O homem novo cantará um cântico novo e fará parte da nova aliança. [...]


«Eis-me a cantar», dirás. Cantas, sim, tu cantas: estou a ouvir-te. Mas toma cuidado para que a tua vida não dê um testemunho contrário ao da tua língua. 

Cantai com a voz, cantai com o coração, cantai com a boca, cantai com a vossa conduta, «cantai ao senhor um cântico novo». Se vos questionais sobre o que deveis cantar Àquele que amais, e procurais louvores para Lhe cantar, «louvai-O na assembleia dos fiéis» (Sl 149, 1). 

O cântico de louvor é o próprio cantor. Quereis cantar os louvores de Deus? Sede o que cantais. Vós sois o Seu louvor, se viverdes bem.

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 34; a partir da trad. de CCL 41, 423-426

Fonte: http://spedeus.blogspot.com.br

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O valor de aprender História


[por John Piper]



Uma Lição a partir de Judas

A pequena carta de Judas nos ensina algo sobre o valor de aprender história. Este não é o ponto principal da carta, mas é um fato impressionante.

Neste penúltimo livro da Bíblia, Judas escreve para encorajar os santos a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (versículo 3). A carta é um chamado à vigilância em vista de "certos indivíduos [que] se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (versículo 4). Judas descreve essas pessoas em termos vívidos. Eles "dizem mal do que não sabem" (versículo 10); são "murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros" (versículo 16). Eles "promovem divisões, [e são] sensuais, que não têm o Espírito" (versículo 19).

Esta é uma avaliação devastadora de pessoas que não estão fora da igreja, mas que "se introduziram com dissimulação." Judas quer que eles sejam reconhecidos pelo que são, de forma que a igreja não seja enganada e arruinada pelos seus falsos ensinos e comportamentos imorais.

Uma de suas estratégias é compará-los a outras pessoas e eventos na história. Por exemplo, ele diz que "Sodoma e Gomorra... havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição" (versículo 7). Assim, Judas compara aquelas pessoas com Sodoma e Gomorra. Seu ponto ao fazer isto é dizer que Sodoma e Gomorra são postas como "um exemplo" do que acontece quando as pessoas vivem como estes intrusos estavam vivendo. Assim, na mente de Judas, conhecer a história de Sodoma e Gomorra é muito útil para ajudar a detectar tal erro e desviá-lo dos santos.

Similarmente, no versículo 11, Judas acumula três outras referências a eventos históricos, como comparações com o que está acontecendo em seus dias entre os cristãos. Ele diz: "Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré". Isso é impressionante! Por que se referir a três incidentes históricos diferentes como estes, que aconteceram milhares de anos atrás - Gênesis 19 (Sodoma), Gênesis 3 (Caim), Números 22-24 (Balaão), Números 16 (Coré)? Qual é o ponto?

Aqui estão três pontos:

1) Judas assume que os leitores conhecem estas histórias! Isto não é incrível? Era o século primeiro depois de Cristo! Não havia nenhum livro nas casas das pessoas! Nenhuma Bíblia disponível! Nenhuma história em CD! Apenas instrução oral! E ele assume que eles conheceriam tais histórias: Qual é "o caminho de Caim," "o erro de Balaão" e "a rebelião de Coré?" Você sabe? Isto não é surpreendente? Ele espera que eles conheçam! Isso me faz pensar que os nossos padrões de conhecimento da Bíblia na igreja de hoje são muito baixos.

2) Judas assume que conhecer a história iluminará a situação presente. Os cristãos tratarão com o erro mais eficazmente hoje se eles conhecerem situações similares de antigamente. Em outras palavras, a história é valiosa para o viver cristão. Saber que Caim era invejoso e que além de odiar seu irmão, também se ofendeu com sua comunhão verdadeira com Deus, te alertará para vigiar contra tais coisas mesmo entre irmãos. Saber que Balaão caiu e fez da Palavra de Deus um meio de ganho mundano, te tornará mais capaz de identificar este tipo de coisa. Saber que Coré desprezou a autoridade legítima e ressentiu-se com a liderança de Moisés, te protegerá de gente facciosa que não gosta de ninguém sendo visto como seu líder.

3) Não é claro, então, que Deus ordenou que estes eventos acontecessem e que fossem registrados como história, para que aprendêssemos a partir deles e nos tornássemos mais sábios e perspicazes sobre o presente, por causa de Cristo e de sua igreja? Nunca pare de aprender a partir da história! Adquira algum conhecimento todo dia. Demos aos nossos filhos uma das melhores proteções contra a tolice do futuro, a saber, um conhecimento do passado.

Fonte: http://www.editorafiel.com.br




segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ENSINEM DOUTRINAS E NÃO HISTÓRIAS AOS SEUS ALUNOS


Por Jáder Borges

Eu visitava aquela igreja e quando fomos nos dividir em classes na manhã de Domingo o superintendente da EBD, não sei se por inexperiência ou por descuido, disse: "e agora as crianças poderão ir para as suas classes ouvir historinhas"... Quis ser ele gentil? Tencionou ser acessível, recorrendo ao diminutivo para chamar a atenção dos pequeninos? Não sei. Mas o que sei é que infelizmente tem muita gente só contando histórias na EBD aos seus alunos. E só.

Mas não é para contar Histórias? 

Claro. A história é bíblica e está na Palavra de Deus. Mas, tantas vezes nos atemos à história, apenas ou tão somente, aos detalhes, e nos esquecemos do PORQUÊ da história. O que Deus fez ali? Como Ele foi honrado, obedecido ou desobedecido? Qual ensino principal tem e traz a lição? Romanos 15.4 diz que "tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Tem algo a mais na história: tem um ensino para ser passado, uma confiança no Deus Todo-Poderoso para ser reforçada, a Pessoa bendita de Jesus para ser apresentada ou enaltecida, uma lição de fé a ser enfatizada, o Caráter e a Soberania divina a serem destacados, pois quando vierem os dias maus e difíceis para estas crianças ao longo de suas vidas, com o ensino correto, sábio e doutrinário que receberam, a consolação das Escrituras virá de maneira mais precisa aos seus corações e isto poderá livrar as suas almas de muitas dores. O Consolador usará as Escrituras e o que dela se extraiu para o fortalecimento da fé em momentos como perigos, tentação ou provação. Na sua história de vida, o ensinamento doutrinário colhido e bem guardado das histórias que ouviu e aprendeu fará todo sentido e será de grande auxílio. Das histórias que aprendeu, Jesus de Nazaré soube usar a DOUTRINA para a vida. Na hora da tentação e de enfrentar o Tentador, como ocorreram várias vezes, quando este quis deturpar o ensino das Escrituras, Jesus estava plenamente consciente do que dizia o texto, como e para quê estava escrito, e venceu (Lucas 4.1-13; Hebreus 2.18). Destacamos a sua segurança e firmeza diante dos absurdos que ouvia de fariseus, saduceus e de outros religiosos da sua época. Ele não só revelava os seus grandes desvios da Palavra de Deus, como também os fazia corar e calar (Mateus 23.34; Lucas 20.39,40, etc.).

O Departamento Infantil é um lugar de histórias, mas se as crianças vibrarem mais com Davi, por exemplo, do que com o Deus a quem Davi servia e confiava, nós teremos falhado como professores de Escola Bíblica Dominical. Se conhecerem bem a história de Sansão, mas pouco ou quase nada ficar retido dos ensinamentos doutrinários a partir do que ouviu sobre Sansão, então haveremos falhado.

Qual a sua atitude diante da história de Jonas? 

Quando chega a nova revista e você vai dar uma olhada superficialmente, você gosta da capa, do título, do tema... aí vai ver o conteúdo das lições: oito lições sequenciais no livro de Jonas. O que você faz? O que você diz? "oh, não. Jonas de novo?!" Afinal, você já contou tantas vezes a história para a turma...

Esta atitude pode ser sintoma de que estamos muito mal acostumados a só contar histórias e a ficarmos procurando sempre um novo meio, técnicas e métodos para contar a mesma história de maneira atraente, perdendo até o sono por causa disso. Contar a história ocupa mais a nossa atenção do que passar o sadio ensino das Escrituras tantas vezes, infelizmente. 

A história, as crianças já conhecem. Então, parta daí. Relembre com elas, peça que forneçam detalhes, enriqueça a sua aula com a participação da turminha. Se tem alguém novo na sala que nunca ouviu a história de Jonas, conte para esta criança, mas procure tratar do foco doutrinário com a turma e com o aluno novo também.

O que o livro de Jonas fala sobre Deus? Como Deus se revela no texto? Será que Deus acompanha e intervém? Como temos provas da Sua Soberania? Enfim, quantos ensinos doutrinários maravilhosos. Sugiro que você tenha sempre à mão a Confissão de Fé de Westminster. Estude-a bem, pois tem doutrina segura. Repasse o que aprendeu sobre Deus na história aos seus alunos. Você verá como a sua aula crescerá e as suas crianças também! Adquira um livro de Teologia Sistemática, enfim, prepare melhor e com mais conteúdo teológico as suas aulas. Lembre-se: doutrina edifica. História simplesmente, não. Tem muito preso no sistema carcerário na América do Norte e no Brasil que ouviu muitas histórias bíblicas. Mas foi só. Doutrina trará raízes para a fé que foi plantada no coração infantil e marcará o caráter. Abastecerá a mente e manterá em dia uma cosmovisão bíblica e cristã das coisas; de todas as coisas e para todas as horas. Doutrina norteará o crescimento de uma pessoa tão jovem, e quando esta pessoa chegar à idade adulta não se esquecerá dos estatutos e da Lei do Senhor, que é perfeita e que foi o que ela aprendeu (Pv 22.6).

Ensinar doutrina ao invés de só contar a história lhe permitirá passar por toda a Bíblia. Você apresentará textos em outros livros das Sagradas Escrituras e a criança começará a perceber que a Bíblia é um livro maravilhoso, coerente, vivo, magistral, rico de ensinos preciosos e únicos, de uma unidade perfeita. Verá o princípio de Deus em todas as páginas e crescerá manuseando bem a sua espada! (2 Tm 2.15)

Jonas de novo?! Mas que bênção!!!  

Lembro-me de ter ouvido uma história interessante. Uma professora de alunos com idade de iniciantes no Ensino Fundamental passou todo o semestre trabalhando em cima do livro de Jonas. Contou vários aspectos da Doutrina, como o amor de Deus, a Justiça divina, o agir de Deus na História, o Deus da Providência, etc. As crianças vibraram com tantos ensinamentos. Quando chegou o dia da convenção anual de famílias daquela denominação, todo um esquema para atender os participantes foi bem elaborado. Tudo muito bem organizado e as crianças foram divididas em grupos e faixas etárias. A professora do dia foi contar exatamente a história de quem?! Isso mesmo: Jonas. E "lá pelas tantas" a empolgada professora chegou na parte em que Jonas foi lançado ao mar. Fez o que pode para demonstrar suspense, aumentou a voz, 'criou um clima', fez aquela entonação característica dos suspenses... "e agora, o que é que vai acontecer com Jonas???!!!" As crianças acompanhavam a empolgada contadora da história do profeta desobediente. Foi quando veio a pergunta:

- Crianças, quem foi que salvou Jonas?!

Uma criança de seis anos respondeu: Deus!

A professora, no seu entusiasmo nem percebeu e disse: "não, meu querido. Foi o peixe"!!! Ao que um menino de seis anos respondeu: "se a senhora quiser que eu diga que foi o peixe, eu digo. Mas quem mandou o peixe para salvar Jonas foi o Deus de toda a providência!"

A professora aprendeu uma grande lição naquele dia. Estava se atendo demais aos detalhes da história. E só. Tanto, que ela esqueceu exatamente onde Deus estava na história de Jonas. O Senhor estava onde sempre esteve, no entendimento daquele garotinho: Deus regia Soberano e era atuante, conduzindo a história como Lhe aprazia e para a Sua glória.

Plante Doutrina e as crianças serão beneficiadas com isso.

Existem duas maneiras de se contar histórias bíblicas e as crianças nos mostrarão se erramos ou se acertamos. Se elas vibrarem mais e amarem mais os personagens das histórias, algo de muito sério está acontecendo conosco e com a nossa maneira de ensinar. 

Que as crianças vibrem com o Grande Deus a quem amamos! As histórias são um excelente meio para afirmarmos e confiramos sempre isto. Ele é fiel. Sim, fiel assim!


Fonte: http://gracaplena.blogspot.com.br

terça-feira, 13 de novembro de 2012

QUANDO PESSOAS SE PARECEM COM SATANÁS


por JOHN PARNELL

Deus criou o homem para refletir a sua imagem e fazer avançar a exibição de sua glória sobre o mundo criado (Gênesis 1:26-28). Mas Adão falhou nesta comissão. Ao invés de ter domínio sobre a serpente, ele sucumbiu à sua astúcia. Como Greg Beale, explica: "Em vez de querer estar perto de Deus a refletir-lo, Adão e sua mulher esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim" (Gênesis 3:8 e 3:10) .

O pecado trouxe o caos e a desordem. As coisas ficaram bagunçadas. Na verdade, as coisas ficaram tão de pernas pro ar que Adão poderia ser visto realmente suprimindo a imagem de Deus e refletindo a imagem da serpente, como uma história ao contrário (veja Romanos 1:18-25).

Adão foi o primeiro ser humano idólatra que se tornou em algo que ele não deveria tornar-se, parecendo mais com a cobra do que com o seu Criador. Beale explica assim:

"Idolatria" deve ser definido como reverenciar qualquer outra coisa que não seja Deus. No mínimo, a fidelidade de Adão havia deixado Deus e voltado para si próprio e, provavelmente, para Satanás, pois ele acabou se assemelhando à personagem da serpente em alguns aspectos.
[Ele mentiu]  A serpente era um mentiroso (Gênesis 3:4) e um enganador (Gênesis 3:1, 13). Da mesma forma Adão, quando perguntado por Deus, "Você comeu da árvore da qual te ordenei que não comesse?" (Gênesis 3:11), ele não responde sem rodeios. Adão respondeu, "A mulher que você me deu para estar comigo, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gênesis 3:12). Adão estava culpando Eva por seu pecado, e isso transfere a responsabilidade dele para sua esposa, em contraste com o testemunho bíblico de que Adão foi o verdadeiro responsável pela queda (por exemplo, veja Romanos 5:12-19).
[Ele não confiava na Palavra de Deus]  Além disso, Adão, como a serpente, não confiou na palavra de Deus (em relação a Adão, ver Gênesis 2:16-17; 3:6; no que diz respeito à serpente, Gênesis 3:1, 4-5). A mudança de Adão de confiar em Deus para confiar na serpente significava que ele já não reflete a imagem de Deus, mas sim a imagem da serpente. . . 
[Ele exaltou a sim mesmo]  Adão não só ficou de lado enquanto sua aliada de aliança, Eva, foi enganada pela serpente, mas também decidiu por si mesmo que a palavra de Deus estava errada e a palavra diabo estava certa. Ao fazê-lo, talvez Adão estivesse refletindo uma outra característica da serpente, que exaltou o seu próprio padrão de conduta ao invés dos padrões de justiça de Deus. Certamente Adão estava decidindo por si mesmo que a palavra de Deus estava errada. Este é precisamente o ponto onde Adão se colocou no lugar de Deus - este é o culto do eu. (GK Beale, A Teologia do Novo Testamento bíblico).

Adão era um enganador. Ele não confiava na palavra de Deus. Ele exaltou seu próprio padrão acima do padrão de Deus isso é um culto a si mesmo. Os seres humanos, criados à imagem da majestade de Deus, rebelaram-se e tornaram-se em imagem da serpente. Esta foi a queda. E essa não é apenas a história de Adão, é a nossa história também.

O pecado não é uma coisa que nós podemos simplesmente varrer para debaixo do tapete. Não é um pouco disso ou daquilo. Ah, não. O pecado é mais fundamentalmente nós agindo como Satanás em vez de refletir a glória de Deus.

Pense nisso por um momento.

Falsificando a verdade, distorcendo um pouco as coisas, ignorando a palavra de Deus, elevando a nossa razão acima do que ele disse - essas não são lutas nem fraquezas, isso é satânico. É negar o propósito mais fundamental da nossa existência: glorificar a Deus e trazer a marca da sua santidade.

Uma motivação para uma vida de arrependimento é ver o nosso pecado como ele realmente é.

Fonte: http://www.hermeneuticaparticular.com

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

40 razões para ser parte de uma igreja local

É possível viver uma vida cristã fiel sem ser parte fiel de uma igreja local? Já escutei que muitas pessoas usam o argumento de que sim, é possível, sobretudo se não existem boas igrejas próximas. No estou de acordo.

No mínimo, existem quarenta mandamentos diferentes no Novo Testamento para viver a vida, de certo modo, com outros crentes. Ainda que certamente é possível cumprir algumas dessas ordens com os cristãos em geral, o peso dessa lista deve convencer-lhe da necessidade de possuirmos relações continuas com outros crentes.

E essas relações são somente reforçadas pela comunhão da igreja local. De fato, considero que parte desta lista é simplesmente impossível de ser cumprida se você não tem a classe de comunhão continua e cada vez maior com outros crentes que só vem através do ministério em uma igreja local:

1. Estimular-nos uns aos outros ao amor e às boas obras (Hebreus 10:24)
2. Confessai vossas ofensas uns aos outros (Tiago 5:16)
3. Edificar-nos uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11)
4. Ser de uma mesma mente que os outros (Romanos 12:13, 15:5)
5. Animar uns aos outros à luz da morte (1 Tessalonicenses 4:18)
6. Empregar seus dons espirituais no serviço aos outros (1 Pedro 4:10)
7. Orar uns pelos outros (Tiago 5:16)
8. Amar uns aos outros (Romanos 12:10)
9. Estar em paz uns com os outros (Marcos 9:50)
10. Animarem-se uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11)
11. Saudar-vos uns aos outros (2 Coríntios 13:12)
12. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros. (Gálatas 5:26)
13. Ser benignos com os outros (Efésios 4:32)
14. Abundar em amor uns pelos outros (1 Pedro 1:22)
15. Viver em paz uns com os outros (1 Tessalonicenses 5:13)
16. Que nos amemos uns aos outros (2 João 5)
17. Amai-vos ardentemente uns aos outros (1 Pedro 1:22)
18. Ter comunhão uns com os outros (1 João 1:7)
19. Não julgar-nos uns aos outros (Romanos 14:13)
20. Tomar a comunhão (a Ceia do Senhor) com os outros (1 Coríntios 11:33)
21. Aceitar-nos uns aos outros (Romanos 15:7)
22. Considerar aos demais como superiores a si mesmos (Filipenses 2:3)
23. Carregar as cargas uns aos outros (Gálatas 6:2)
24. Exortando-os uns aos outros (Romanos 15:14)
25. Servir uns aos outros (Gálatas 5:13)
26. Não mintais uns aos outros (Colossenses 3:9)
27. Suportando-os uns aos outros (Colossenses 3:13)
28. Perdoar uns aos outros (Colossenses 3:13)
29. Ensinar e exortar uns aos outros (Romanos 15:14)
30. Cuidando dos outros (1 Coríntios12:25)
31. Vestir-se com humildade para os demais (1 Pedro 5:5)
32. Ser hospitaleiros uns para com os outros (1 Pedro 4:9)
33. Não se queixar uns aos outros (Tiago 5:9)
34. Mostrar paciência uns aos outros (Efésios 4:2)
35. Falando entre nós com salmos, hinos e cânticos espirituais (Efésios 5:19)
36. Dar preferência uns aos outros (Romanos 12:10)
37. Não 'morder e comer' uns aos outros (Gálatas 5:15)
38. Submetei-vos uns aos outros (Efésios 5:21
39. Buscar o bem dos outros (1 Tessalonicenses 5:15)
40. Não deixar de reunir-nos com os outros (Hebreus 10:25)

Esse último motivo leva toda a lista a um círculo. Se ser cristão não significa nada mais que tomar uma decisão sobre Jesus Cristo, nada disso importa. Porem, se ser cristão significa entrar em um mundo que altere a vida, onde Deus deseja sua santificação e lhe concede os meios para crescer e os mandamentos a seguir, então é simplesmente impossível fazê-lo fora do contexto de uma igreja local.

Por Jesse Johnson
Tradução: Armando Marcos